Unaids anuncia que cerca de 21 milhões vivendo com HIV estão em tratamento
BR

20 novembro 2017

Novo relatório do Programa Conjunto das Nações Unidas foi lançado às vésperas do Dia Internacional de Luta contra a Aids, em 1º de dezembro; documento destaca o direito à saúde como fundamental para acabar com a doença.

Laura Gelbert Delgado, da ONU News em Nova Iorque.

Progresso notável está sendo feito no tratamento para o HIV. Essa é a avaliação do Programa Conjunto das Nações Unidas para o HIV/Aids, Unaids. Um novo relatório, lançado nesta segunda-feira, mostra que o acesso ao tratamento cresceu “significativamente”.

Segundo o documento, no ano 2000, apenas 685 mil pessoas vivendo com o HIV tinham acesso à terapia antirretroviral. Até junho de 2017, cerca de 20,9 milhões tinham acesso a medicamentos que salvam vidas.

Determinação e liderança

Para o Unaids, um aumento tão dramático não poderia ter acontecido sem a coragem e determinação de pessoas vivendo com HIV exigindo seus direitos, apoiadas por compromisso firme, financeiro e liderança forte.

O chefe do Unaids, Michel Sidibé, disse que muitas pessoas não se lembram que no ano 2000, apenas 90 pessoas vivendo com o vírus na África do Sul eram tratadas. Atualmente, o país tem o maior programa de tratamento no mundo, com mais de 4 milhões de pessoas.

O documento do Programa da ONU destaca ainda que o aumento no número de pacientes sendo tratados está mantendo mais pessoas com HIV vivas e bem.

Pesquisa científica

Segundo o relatório, pesquisas científicas mostraram que pessoas vivendo com o HIV que estejam em uma terapia antirretroviral efetiva têm probabilidade até 97% menor de transmitir o vírus.

Com o aumento no acesso ao tratamento para grávidas vivendo com HIV, novas infecções entre crianças foram reduzidas rapidamente: em 56% na África Oriental e Austral, a região mais afetada pelo vírus, e em 47% globalmente, entre 2010 e 2016.

Segundo o Programa, os desafios são agora garantir que as 17,1 milhões de pessoas que precisam de tratamento, incluindo 919 mil crianças, possam acessar os medicamentos e colocar a prevenção no topo da agenda de saúde pública, especialmente em países onde o número de novas infecções por HIV estejam subindo.

Direito à saúde

O novo relatório do Unaids, Direito à Saúde, ressalta que as pessoas mais marginalizadas e afetadas pelo HIV ainda enfrentam grandes desafios no acesso a serviços sociais e de saúde que precisam de forma tão urgente.

Ao mesmo tempo, o documento também apresenta exemplos inovadores sobre como comunidades marginalizadas estão respondendo à infecção.

Na Índia, por exemplo, um grupo de trabalhadores sexuais treinou outros como assistentes de enfermagem, fornecendo serviços de saúde livres de estigma para eles e a comunidade de forma mais ampla.

Em Uganda, avós estão tecendo e vendendo cestas tradicionais para que possam pagar a escola de seus netos que perderam os pais para a Aids.

Direitos humanos

Em 2016, cerca de 1,8 milhão de pessoas foram infectadas com o HIV, uma queda de 39% em relação ao pico da epidemia no fim dos anos 90. Na África Subsaariana, a redução foi de 48% desde o ano 2000.

No entanto, novas infecções estão crescendo em um ritmo rápido em países que não expandiram amplamente serviços de saúde e HIV. Na Europa Oriental e Ásia Central, por exemplo, as novas infecções com o vírus cresceram em 60% desde 2010 e as mortes relacionadas à doença em 27%.

O relatório Direito à Saúde do Unaids torna claro que os Estados têm obrigações de direitos humanos de respeitar, proteger e cumprir o direito à saúde.

O documento dá voz às comunidades mais afetadas pelo HIV, incluindo pessoas vivendo com o vírus, trabalhadores sexuais, pessoas que usam drogas, jovens, gays e outros homens que fazem sexo com homens, sobre o que o direito à saúde significa para eles.

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