Rohingyas arriscam vida em balsas para fugir da violência BR

Segundo o porta-voz do Acnur, mais de 100 refugiados rohingya morreram afogados em naufrágios e incidentes com embarcações desde o início da crise em 25 de agosto. Foto: Acnur/Andrew McConnell

Rohingyas arriscam vida em balsas para fugir da violência

Alerta feito pela Agência da ONU para Refugiados, Acnur, sugere que meios incluem embarcações feitas de bambu e latas vazias; desde 25 de agosto, mais de 100 morreram afogados.

Laura Gelbert Delgado da ONU News em Nova Iorque.*

Refugiados continuam a escapar de Mianmar em direção a Bangladesh, após quase três meses desde o início da violência em 25 de agosto. Segundo o porta-voz da Agência da ONU para Refugiados, Acnur, William Spindler, por desespero, muitos estão usando formas inseguras de transporte para escapar.

Falando a jornalistas em Genebra, Spindler afirmou que nos últimos 10 dias, o Acnur recebeu relatos de cerca de 30 balsas improvisadas, que carregavam mais de mil pessoas.

Travessia

Sem ter dinheiro para pagar pela travessia, muitos refugiados estão construindo balsas com qualquer material que conseguem achar, na maioria dos casos bambu e latas vazias amarradas com cordas e cobertas com lençois de plástico.

Segundo o porta-voz do Acnur, mais de 100 refugiados rohingya morreram afogados em naufrágios e incidentes com embarcações desde o início da crise em 25 de agosto.

Violência sexual

Já a representante especial do secretário-geral da ONU para Violência Sexual em Conflito, Pramila Patten, pediu mais medidas para proteger e ajudar vítimas de violência sexual entre os deslocados.

Após sua visita a Cox’s Bazar, em Bangladesh, Patten afirmou que suas observações apontam para um “padrão de atrocidades generalizadas”, citando estupros, incluindo coletivos, “nudez pública forçada e escravidão sexual em cativeiro militar direcionada a mulheres e meninas rohingya”.

Segundo o Escritório da ONU para Coordenação de Assuntos Humanitários, Ocha, a crise humanitária causada pela violência no estado de Rakhine, em Mianmar, está causando “sofrimento catastrófico”.

Mais de 600 mil refugiados rohingya atravessaram a fronteira para Bangladesh. O Ocha calcula que o país agora abrigue 800 mil deslocados rohingya.

*Apresentação: Monica Grayley.