ONU alerta que colheitas no Sudão do Sul não porão fim à crise de fome

6 novembro 2017

Em comunicado conjunto de governo do país, FAO, PMA e Unicef, e outros parceiros de ajuda humanitária, alerta é feito sobre a continuação do conflito e a hiperinflação do país que dificulta acesso à comida.

Monica Grayley, da ONU News em Nova Iorque.*

A atual estação de colheitas no Sudão do Sul não será suficiente para conter a crise de fome no país africano.

O alerta foi feito num comunicado conjunto do próprio governo do país, com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, e o Programa Mundial de Alimentação, PMA.

Medição

Participaram ainda do comunicado, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, e outras agências de ajuda humanitária, parceiras da ONU.

Um outro problema que tem impedido a chegada de alimento à mesa dos sul-sudaneses é o conflito associado à hiperinflação que tornou os preços inacessíveis.

Até o fim do ano, o Sudão do Sul deve ter 4,8 milhões de pessoas passando fome, o número representa uma queda das taxas de junho que eram de 6 milhões de pessoas.

Mesmo assim, a ONU afirma que em comparação com o mesmo período do ano passado, são 1,4 milhão de pessoas a mais, e muitas delas estão na categoria de emergência 4 de uma escala de medição.

Tragédia

O chamado cinturão verde do Sudão do Sul foi afetado por intensos combates. Para o representante da FAO no país, Serge Tissor, a solução do conflito deve ser uma prioridade, caso contrário a situação será pior que a do ano passado. Ele lembrou que esta é uma tragédia feita por mãos humanas.

A insegurança alimentar no Sudão do Sul deve piorar no início de 2018. Este é o período em que muitos lares ficam sem alimentos. No próximo ano, estima-se que esta estação se inicie três meses antes.

Os níveis de malnutrição também pioraram este ano, com taxas bem acima do limite da Organização Mundial da Saúde, OMS, de 15 por cento.

Rebanhos

Mas de 1,1 milhão de crianças com menos de cinco anos de idade podem ficar malnutridas em 2018 incluindo 300 mil sob alto risco de morte.

A FAO entregou kits de plantação e de pesca para mais de 4,2 milhões de pessoas, muitas delas em áreas de conflito. A agência da ONU também vacinou 4,8 milhões de animais para proteger os rebanhos.

O Unicef forneceu água potável a 750 mil pessoas e instalações sanitárias a mais 230 mil.

Já o PMA ajudou 4,6 milhões de pessoas com dinheiro ou comida. E equipas de emergência entregaram ajuda por helicópteros e mais de 135 missões a áreas remotas.

*Apresentação: Denise Costa.

 

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