Brasileira na OMS cita lições do programa sobre HIV para novas políticas
BR

1 novembro 2017

Diretora-geral-assistente para área de acesso a medicamentos, vacinas e produtos farmacêuticos, Mariângela Simão, toma posse nesta quarta-feira; médica afirma que acesso universal criado pelo Brasil, e várias nações, serve como inspiração para novas políticas de acesso a medicamentos contra outras doenças.

Monica Grayley, da ONU News em Nova Iorque.

A Organização Mundial da Saúde, OMS, aprendeu várias lições positivas com os programas de acesso a tratamento antirretrovirais contra HIV/Aids. A declaração é da nova diretora-geral-assistente da agência, Mariângela Simão.

Nesta quarta-feira, ela toma posse como a responsável pela área de acesso a medicamentos, vacinas e produtos farmacêuticos. A médica brasileira conversou com a ONU News, diretamente de Genebra, dias antes de assumir o novo posto.

Ajuda internacional

Para Mariângela Simão, o sucesso da experiência dos programas contra HIV/Aids devem ser uma fonte de inspiração para tornar medicamentos contra outras doenças também acessíveis a quem precisa.

“Eu diria que a gente aprendeu muitas lições como o acesso como direito, uma maior transparência nos preços, em ter ajuda internacional para compra de medicamentos. Apesar de que o problema da Aids não tenha sido resolvido nasua totalidade, ele está caminhando na direção certa. Isto a gente não vê, por exemplo, com as doenças que a gente chama de crônico-degenerativas. A gente não vê o mesmo acontecendo com medicamentos essenciais, como por exemplo, pra pressão alta, para hipertensão, ou como eu estava falando para uma grande causa da mortalidade que são os diferentes tipos de câncer.”

Cplp

A médica defende também o aumento de mais medicamentos genéricos no mercado para levar a mais acesso. Segundo Mariângela Simão, a existência de competição é útil.

A nova diretora-geral-assistente afirmou que trabalhará de perto com os governos e parceiros dos países de língua portuguesa, especialmente na relação de qualidade dos medicamentos.

“Eu acho que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa tem que retomar algumas relações na troca de experiências na produção local. Mas mais do que isso, provavelmente, é relacionado aos mecanismos de regulação de qualidade de medicamento porque alguns dos países de língua portuguesa têm agências regulatórias mais fortes. Então, você tem que controlar. Está comprando medicamento internacional? Este medicamento é pré-qualificado pela OMS. Então tem que ter capacidade no país para avaliar se aquilo que o governo está comprando e que está entrando no país é de boa qualidade.”

A médica Mariângela Simão tem 30 anos de experiência na área de saúde e políticas públicas. A partir desta quarta-feira, ela vai integrar uma equipe de liderança da OMS, nomeada pelo novo diretor-geral Tedros Ghebreyesus, e que tem 60% de mulheres.

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