Guterres: “Há uma chance de construir uma nova República Centro-Africana”
BR

25 outubro 2017

Secretário-geral da ONU acredita que divisões religiosas são resultado de manipulações políticas; Guterres quer que Conselho de Segurança apoie reforço da operação de paz e das Forças Armadas centro-africanas.

Eleutério Guevane, da ONU News em Nova Iorque.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, marcou o segundo dia da visita à República Centro-Africana destacando que a sua presença no país mostra solidariedade ativa.

Esta quarta-feira, o chefe da ONU participou numa reunião com o presidente Faustine Touadéra, em Bangui, onde reafirmou a “profunda” cooperação com o povo centro-africano pelos “sofrimentos, problemas e dificuldades”.

Compromisso

Mas o chefe da ONU disse que a mensagem essencial da sua visita era sobre a “necessidade de um compromisso da comunidade internacional não apenas para reduzir esse sofrimento e problemas”.

Para Guterres “há uma oportunidade de construir uma nova República Centro-Africana em paz, segurança e prosperidade para o seu povo”. Guterres citou o  atual diálogo político que envolve movimentos armados para garantir um futuro de paz no país.

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Chefe da ONU destacou que a sua presença no país mostra solidariedade ativa. Foto: ONU.

BangassouNa sua visita de solidariedade, Guterres esteve com desalojados na cidade de Bangassou. Ele disse que “cristãos e muçulmanos sofreram o suficiente e que os líderes religiosos devem ser apóstolos pela paz”.

Dirigindo-se às forças de paz na área, o chefe da ONU revelou que estava “extremamente orgulhoso da coragem” e da resistência mostradas ao lidar com a situação com alto respeito pelos direitos da população centro-africana.

Para o secretário-geral, as atuais divisões religiosas “não são tão profundas e nunca existiram, sendo “apenas o resultado de manipulações políticas que devem ser condenadas e evitadas a todo custo”.

Guterres elogiou o presidente centro-africano pelo seu forte apelo à unidade e pela reconciliação do povo. O apelo aos líderes religiosos e comunitários é que “elevem a voz no sentido de uma reconciliação efetiva”.

Ações hostis

Na segunda-feira, o chefe da ONU prestou tributo aos militares internacionais pelo seu sacrifício em busca da paz numa cerimónia e em visitas a soldados internados. Pelo menos 12 boinas-azuis perderam a vida em situações hostis ocorridas este ano na nação africana.

Guterres disse ainda que é preciso “um reforço do tamanho e da capacidade da Missão das Nações Unidas na República Centro-Africana, Minusca, para proteger melhor o povo”.

O representante defendeu ainda que devem ser criadas condições para que as Forças Armadas centro-africanas comecem a desempenhar um papel efetivo na proteção e na segurança do seu país.

O outro pedido do chefe da ONU é que “tudo seja feito para ajudar o país a adotar uma perspetiva de desenvolvimento, para que as pessoas possam sentir que a paz traz elementos positivos” na vida nacional e nas suas diferentes regiões.

Guterres apelou à solidariedade ativa a comunidade internacional para que esta ajude as Nações Unidas no reforço da Minusca, em particular através de uma decisão do Conselho de Segurança para apoiar as Forças Armadas centro-africanas.

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