Mensagem da RCA para a ONU: ‘A única coisa que queremos é paz’
BR

23 outubro 2017

Costumava ser conhecida como a ‘Ponte da Morte,’ a linha da frente entre facções em guerra na capital República Centro-Africana. Histórias lendárias eram partilhadas sobre a ponte lavada em sangue, forças governamentais com medo de se aproximarem.

Avançando no tempo para 2014, quando a Missão de Manutenção da ONU foi enviada para a RCA, começaram a ser dados passos para aproximar as milícias, tentativas de reconciliação comunitária. Mas foi apenas em outubro de 2016 que líderes locais juntaram forças com os soldados de paz da ONU para convencer os grupos de milícias a desarmaram e reabrirem a ponte.

Bangui

Hoje, é simplesmente conhecida como a Ponte Yakite. Localizada no bairro PK5 de Bangui, a capital arrasada por conflitos, está cheia de trânsito e de comerciantes locais, tanto de comunidades cristãs como muçulmanas, graças em parte aos esforços de estabilização da Missão de paz da ONU.

Este subúrbio comercial de Bangui está lotado de pequenos comerciantes que tentam voltar à sua vida normal. Muitos comerciantes regressaram de países vizinhos, incluindo dos Camarões, Chade e República Democrática do Congo, onde escaparam à violência.

“Estamos à procura de paz. Agora, queremos reconciliação, mas eles ainda estão a matar muçulmanos”, diz Lawadi Ismael, um representante do bairro, acrescentando: “Quando a luta começou em 2013, nunca fui embora. Agora, o negócio está a voltar devagar, mas estes ataques contra muçulmanos têm de parar”, enquanto culpa o governo pela sua alegada passividade, e pedindo à Missão de Paz da ONU, conhecida como Minusca, para fazer mais para os proteger.

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Foto: ONU/Eskinder Debebe

PatrulhaSeguimos uma patrulha conjunta da Minusca ao bairro PK5, o palco de inúmeros confrontos entre os rebeldes Séléka de maioria muçulmana e a milicia anti-Balaka, que é sobretudo cristã, durante o conflito civil que começou em 2013.

Uma unidade de vigilância aeronáutica única oferece à patrulha a capacidade de adquirir informação em direto: uma câmera equipada com um balão aeróstato e três mastros de suspensão montados em veículos enviam vídeos em direto para o centro de operações conjuntas, indicando qualquer movimento nas multidões ou possíveis ameaças. Isto é usado para guiar a patrulha em áreas que precisam de segurança, enquanto protegem os seus membros.

Mesmo com tecnologia a ajudar os soldados da paz, a reconciliação ainda é frágil, especialmente depois de ataques recentes no sudeste e centro do país, frequentemente direcionados às comunidades de minorias.

Minusca

“A polícia colabora sobretudo quando detemos um suspeito; os militares assumem a liderança quando é necessário usar a força”, explica Jean-Marie Vianney, comandante de um pelotão do Ruanda com 36 homens, enquanto se dirigem com a Unidade de Polícia Camaronesa, de 12 elementos, para o PK5.

"Precisamos tranquilizar a população e desencorajar os bandidos", diz o sargento Epouba Martine Martial, um polícia camaronês com a Minusca.

Apesar do progresso notável, das eleições bem-sucedidas, e uma presença da ONU para reforçar a estabilidade, apoiar a governação e prestar assistência humanitária, a República Centro-Africana permanece instável.

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Deslocados internos na cidade de Bambari, República Centro-Africana. Foto: ONU/Catianne Tijerina

DeslocadosA deterioração da situação levou cerca de um quarto da população a sair de suas casas, desde o início de 2017, o número de deslocados atingiu 600 mil e há mais de 500 mil refugiados em países vizinhos.

Mais de 1 milhão de centro-africanos são deslocados - dentro do país ou no exterior - e em Bangassou, o campo para deslocados internos chegou a 1,8 pessoas e ainda está a aumentar.

Quando ele chegar ao país a 24 de outubro, que é também o Dia das Nações Unidas, o secretário-geral António Guterres vai homenagear os 12 soldados de paz que morreram desde janeiro de 2017 devido a atos hostis.

Visita

"Em todo o país, as tensões comunitárias estão a crescer. A violência está se a espalhar. E a situação humanitária está se a deteriorar", disse Guterres, que fez questão de marcar o Dia das Nações Unidas com forças de paz que se colocam na linha da frente em algumas das áreas mais perigosas do mundo.

No seu último relatório ao Conselho de Segurança sobre a República Centro-Africana, o secretário-geral solicitou 900 tropas adicionais para a missão.

O general, Balla Keita, comandante da Minusca, não tem dúvidas de que o efeito desse aumento de capacidade vai ajudar a missão a estabilizar a situação. No entanto, ele observou: "Nunca vai haver uma solução militar para uma operação de manutenção da paz. A solução será política - uma negociação genuína com todas as partes "

 

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