Plano global quer reduzir mortes por cólera em 90% até 2030
BR

4 outubro 2017

Iniciativa será lançada na quarta-feira pela Força-Tarefa Global sobre Controle do Cólera; parceria entre 50 instituições inclui agências da ONU; doença mata cerca de 95 mil pessoas e afeta outras 2,9 milhões a cada ano.

Laura Gelbert Delgado, da ONU News em Nova Iorque.

Uma nova estratégia para reduzir as mortes por cólera em 90% até 2030 será lançada nesta quarta-feira pela Força-Tarefa Global sobre Controle do Cólera, Gtfcc, na sigla em inglês.

A rede inclui mais de 50 agências da ONU e internacionais, instituições acadêmicas e ONGs que apoiam países atingidos pela doença.

Mortes

Segundo estimativas, o cólera mata cerca de 95 mil pessoas e afeta mais 2,9 milhões a cada ano. Para a Organização Mundial da Saúde, OMS, ação urgente é necessária para proteger comunidades, evitar a transmissão e controlar surtos.

O novo plano da rede global reconhece que a doença se espalha em locais endêmicos onde ocorrem anualmente “surtos previsíveis”.

“Inaceitável”

O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, declarou que a agência tem “orgulho” de fazer parte da nova iniciativa para acabar com as mortes por cólera.

Segundo Ghebreyesus, a doença tem seu maior impacto entre as pessoas mais pobres e vulneráveis, o que é “inaceitável”. Ele defendeu que este plano é “a melhor forma disponível” de pôr um fim a este problema.

Plano Global

Segundo a OMS, o plano global busca “alinhar recursos, partilhar experiências e fortalecer parcerias entre países afetados, doadores e agências internacionais.

Ghebreyesus destacou que todas as mortes por cólera são “evitáveis usando as ferramentas disponíveis atualmente”, com a vacina oral e melhor acesso à água limpa e serviços de saneamento e higiene como colocado na iniciativa.

De acordo com a OMS, implementando o plano até 20 países poderiam eliminar o cólera até 2030.

Água

A agência ressaltou que avanços no fornecimento de serviços de água e higiene tornaram a Europa e a América do Norte livres da doença por décadas.

Embora esses serviços sejam reconhecidos como um direito humano básico pelas Nações Unidas, atualmente mais de 2 bilhões de pessoas no mundo não têm acesso seguro à água e estão em risco potencial de cólera.

Sistemas de saúde fracos e dificuldade de detecção precoce também contribuem para a rápida propagação de surtos.

Conflitos

Segundo a OMS, a doença tem impacto desproporcional em comunidades já atingidas por conflito, pela falta de infraestrutura, pelos serviços de saúde fracos e pela desnutrição.

O Iêmen, por exemplo, vive atualmente o pior surto de cólera do mundo. De acordo com a Agência da ONU para Migrações, OIM, desde outubro de 2016, 750 mil pessoas foram atingidas, com mais 5 mil infectadas por dia. Mais de 2 mil pessoas morreram.

A agência ressaltou que proteger essas comunidades antes de surtos da doença é significativamente mais econômico do que responder continuamente a surtos.

Notícias Relacionadas:

Nigéria: gestantes estão em maior risco de contrair cólera em Borno

Falta de recursos compromete resposta humanitária no Iêmen, alerta ONU

Esgotamento seguro ainda tem que chegar a 60% dos brasileiros, diz relator

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Siga-nos no Twitter! Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud