ONU: era digital deve garantir prosperidade para todos
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2 outubro 2017

Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad, lançou relatório sobre economia da informação nesta segunda-feira; Brasil é agora quarto maior país em número de usuários da internet.

Laura Gelbert Delgado, da ONU News em Nova Iorque.

A Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad, afirmou que a digitalização está impactando todos os aspectos da produção e do comércio, das maiores corporações aos menores comerciantes.

No entanto, há um risco de que o fenômeno leve a um aumento na desigualdade de renda. A conclusão está no Relatório sobre Economia da Informação 2017: Digitalização, Comércio e Desenvolvimento, lançado pela agência nesta segunda-feira.

Comércio eletrônico

Segundo a Unctad, as tecnologias de informação e comunicação, o comércio eletrônico e outras aplicações digitais estão ajudando um número cada vez maior de pequenas empresas e empreendedores em países em desenvolvimento a se conectarem com mercados globais e a abrirem novas formas de gerar renda.

A economia digital está se expandindo rápido no chamado Sul Global. Países em desenvolvimento, liderados pela China e pela Índia, representaram cerca de 90% das 750 milhões de pessoas que entraram na internet pela primeira vez entre 2012 e 2015, de acordo com dados da União Internacional das Telecomunicações, UIT.

O chefe da Unctad, Mukhisa Kituyi, ressaltou o “poder transformador da digitalização”, mas afirmou que “políticas nacionais e internacionais eficazes são necessárias para garantir que os ganhos sejam distribuídos igualmente entre e dentro dos países”.

O relatório mostra que mais de metade da população mundial permanece desconectada, e o ritmo do crescimento no acesso e uso está diminuindo. Nos países menos desenvolvidos, apenas uma em cada seis pessoas usou a internet em 2016.

Economia digital

Segundo o estudo, até 2019 o tráfego global na internet deve ser 66 vezes maior do que em 2005.

A produção de bens e serviços na área da tecnologia de informação e comunicação representa cerca de 6,5% do Produto Interno Bruto, PIB, global. O setor emprega atualmente cerca de 100 milhões de pessoas.

O relatório também aponta desafios. Por exemplo, redes 3G cobrem 89% das áreas urbanas, mas apenas 29% das zonas rurais. Países de renda baixa têm as maiores lacunas.

Com cerca de 16% das pessoas em países menos desenvolvidos usando a internet em 2016, a agência chama atenção que a meta de acesso universal colocada nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODSs, está longe de ser alcançada.

África

Segundo o documento, e economia digital está evoluindo na África, mas em velocidades diferentes. Enquanto na Nigéria 32 milhões de pessoas começaram a usar a internet entre 2012 e 2015, em outros países africanos, incluindo na República Centro-Africana, na Eritreia e no Sudão do Sul, serviços de telefonia móvel ainda chegam a menos de um terço da população.

Para a diretora da Divisão de Tecnologia e Logística da Unctad, Shamika Sirimanne, “muitos países africanos precisam se preparar melhor para aproveitar as oportunidades da digitalização e evitar seus impactos negativos”.

O relatório da Unctad mostra que a África está atrasada em aspectos de comércio eletrônico como conexão, soluções para pagamento, logística, segurança da internet e quadros legais. Por exemplo, menos de 40% das nações do continente adotaram leis sobre privacidade de dados.

Mesmo assim, a digitalização está impactando cada vez mais as economias africanas de diversas formas. Segundo o estudo, o uso de grandes dados, inteligência artificial e impressão 3D são exemplos. O comércio electrónico é outra área que está crescendo rápido na região.

América Latina

Na América Latina e no Caribe o uso da internet e de outras tecnologias digitais cresceu em muitos países nos últimos anos, mas segundo o relatório essa evolução pode ser melhor aproveitada na maioria dos países da região.

O estudo da Unctad mostra que o Brasil é agora a quarto maior país em número de usuários da internet e o México vem em nono lugar. Mais de um terço dessas pessoas esteve conectada pela primeira vez entre 2012 e 2015. No entanto, em muitos países da região, a probabilidade de usuários da internet fazerem compras pela rede ainda é baixa.

Por exemplo, na Colômbia, no México e no Paraguai, menos de 10% dos internautas fazem compras pela internet enquanto um índice muito maior participa em redes sociais.

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