Banco Mundial alerta para “crise de aprendizagem” na educação global
BR

27 setembro 2017

Relatório de Desenvolvimento Mundial 2018 pede mais ações com base em estatísticas principalmente em países de rendas baixa e média.

Laura Gelbert Delgado, da ONU News em Nova Iorque.

Um novo relatório do Banco Mundial lançado nesta terça-feira alerta para uma “crise de aprendizagem” na educação global afetando milhões de jovens estudantes em países de rendas baixa e média.

A ONU News conversou com o economista do Banco Mundial e coautor do Relatório sobre o Desenvolvimento Mundial 2018, David Evans, que, de Washington, falou sobre os principais pontos do estudo.

Leitura e matemática

Evans afirmou que segundo o relatório, as crianças estão matriculadas na escola em “taxas sem precedentes”, o que é um grande êxito, mas muitas delas “não estão aprendendo”.

“Tem muitas crianças que estão chegando na escola e passando cinco, oito, doze anos sem aprender a ler, sem aprender a fazer a matemática básica, as habilidades que eles precisam para funcionar bem na sociedade, para realmente ganhar as promessas da educação, de um bom trabalho e uma renda decente”.

De acordo com o relatório, quando estudantes da terceira série do ensino primário no Quênia, na Tanzânia e em Uganda foram solicitados recentemente a ler a frase “o nome do cão é Filhote”, cerca de 75% não entenderam seu significado.

Em áreas rurais da Índia, aproximadamente 75% dos estudantes da terceira série não puderam resolver uma subtração de dois dígitos como “46 – 17” e até a quinta série, metade ainda não conseguia.

As estatísticas do relatório não incluem 260 milhões que, devido a conflito, discriminação, deficiência e outros obstáculos não estão matriculados na escola primária ou secundária.

Países lusófonos

O economista do Banco Mundial e coautor do relatório falou ainda sobre a situação nos países lusófonos.

“Vários dos países que falam português têm melhorado, mas ainda têm muitas oportunidades para melhorar. Um exemplo da crise de aprendizagem é que embora as aptidões de jovens brasileiros de 15 anos tenham melhorado, nós no Relatório sobre o Desenvolvimento Mundial calculamos que se o sistema continuar a progredir no ritmo atual, os jovens levarão 75 anos para atingir a pontuação média em matemática dos países ricos”.

De acordo com o relatório, em leitura levaria 263 anos.

Recomendações

Segundo Evans, o relatório fala em três medidas que os governos podem tomar para enfrentar essa crise.

“A primeira ação é avaliar a aprendizagem para torná-la um objetivo sério (...) Em muitos países não se sabe se as crianças podem ler, se podem fazer matemática. A segunda ação é atuar com base em evidências para fazer as escolas trabalharem para todos os educandos. Nos últimos anos temos aprendido muito sobre como melhorar a aprendizagem, assim que precisamos atuar com base nessas evidências. E a terceira ação é alinhar atores para fazer todo o sistema funcionar em prol da aprendizagem”.

O relatório menciona que quando países e seus líderes fazem da “aprendizagem para todos” uma prioridade nacional, padrões de educação podem “melhorar dramaticamente”.

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