Guterres reafirma prevenção para acabar com crimes hediondos contra civis
BR

6 setembro 2017

Secretário-geral quer melhorar proteção das vítimas; chefe da ONU disse em em sessão interativa que há desconforto de países que receiam que responsabilidade em proteger crie problemas de soberania.

Eleutério Guevane, da ONU News em Nova Iorque.

As Nações Unidas realizaram esta quarta-feira um diálogo interativo abordando o primeiro relatório do secretário-geral sobre a responsabilidade de proteger.

António Guterres declarou aos países-membros que “é mais necessário do que nunca reforçar os esforços de prevenção de crimes hediondos”.

Crimes de Guerra

Para o chefe da ONU, o debate deste ano acontece num cenário marcado pela brutalidade em várias partes do mundo. O secretário-geral disse que todos estão a par da triste realidade humana que vai além dos crimes de guerra e contra a humanidade, além da limpeza étnica e do genocídio no mundo.

Para Guterres, integrar esses fatores na responsabilidade de proteger foi um sinal de avanço da solidariedade e da resolução coletiva. Ele defende que agora é momento de “passar do debate conceitual para melhorar a proteção de pessoas dos crimes hediondos”.

Guterres disse haver um grande número de civis que incluem mulheres e crianças que “que morrem de forma deliberada ou indiscriminada”, defendendo que mais seja feito para reverter essas tendências.

O chefe da ONU lembrou que o seu relatório propõe medidas concretas para alcançar esse objetivo “em tempo mais curto e sem grandes exigências de operação”.

Desconforto

O subsecretário-geral defende que a responsabilidade de proteger ainda gera algum desconforto em vários Estados, que receiam que o princípio seja usado para impor abordagens internacionais a problemas nacionais prejudicando a sua soberania.

Ele disse respeitar a soberania nacional mas defendeu uma discussão de forma aberta para a prevenção de crimes hediondos.

Para Guterres, confrontar malentendidos e deficiências nas respostas do passado ajudaria a melhorar os esforços e a superar desentendimentos políticos e desconfianças que, muitas vezes, são o centro das fraquezas para uma prevenção eficaz.

O secretário-geral defende que os países estejam preparados para tomar medidas coletivas para proteger a humanidade de acordo com a Carta das Nações Unidas se isso for necessário.