Sírios devem parar de "pagar o preço do fracasso político", diz chefe humanitário
BR

31 agosto 2017

Stephen O’Brien fez seu último pronunciamento ao Conselho de Segurança antes de deixar o posto; conselheiro da ONU sobre prevenção do genocídio expressou profunda preocupação com piora da “horrenda” situação de milhares de civis presos na cidade de Raqqa.

Laura Gelbert Delgado, da ONU News em Nova Iorque.

O Conselho de Segurança precisa encontrar uma forma de impedir que o povo sírio tenha que pagar o preço do fracasso político, disse o subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Stephen O’Brien.

Em seu último pronunciamento ao Conselho antes de deixar o posto, O’Brien afirmou ainda estar fazendo o apelo em nome da “humanidade comum” a todos.

Processo político

O enviado especial da ONU, Staffan de Mistura, também falou ao órgão na quarta-feira. Ele disse que a violência no país está diminuindo de forma geral, mas o acesso humanitário “rápido, seguro e contínuo” continua sendo uma questão essencial.

De Mistura, anunciou ainda sua intenção de retomar as conversas formais entre sírios em Genebra em outubro.

Raqqa

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Na foto, crianças e adultos que fugiram de áreas controladas pelo Isil na zona rural de Raqqa para Ain Issa, a cerca de 50 kms ao norte da cidade. Foto: Unicef/Soulaiman (arquivo)

Já o conselheiro das Nações Unidas sobre a Prevenção do Genocídio expressou profunda preocupação com a piora da “horrenda” situação de até 25 mil civis presos na cidade de Raqqa.Adama Dieng citou que pessoas estão sendo usadas com escudos humanos no local, bastião do grupo terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Isil. A área está sob intenso bombardeio.

Segundo relatos, combatentes do Isil estariam matando os civis que tentam escapar e forças de coalizão estariam usando como alvos barcos no rio Eufrates, que é uma das rotas de fuga das pessoas.

Civis ao sul do rio estariam supostamente enfrentando ataques indiscriminados de forças do governo sírio e seus aliados durante as operações militares para retomar a área.

“Custo alto”

Para o conselheiro especial, o “objetivo legítimo de retomar Raqqa não pode ser alcançado com custo tão alto para civis”.

Ainda na declaração, emitida pelo Escritório do porta-voz do secretário-geral da ONU, Dieng apela a todos os lados que cumpram suas obrigações sob a lei internacional humanitária e de direitos humanos incluindo a proteção de civis.

Reiterando pedidos por uma pausa humanitária para poupar as vidas de civis, Adama Dieng alertou que com a ofensiva para retomar Raqqa chegando a sua fase final, é provável que os combates se intensifiquem e os riscos enfrentados pelos civis presos na cidade aumentem.

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