Na ONU, chefe de Direitos Humanos vai “pedir ação” sobre Venezuela
BR

30 agosto 2017

Tema será debatido no Conselho de Direitos Humanos a 11 de setembro; possíveis medidas incluem criar mecanismo de monitoramento como uma comissão de inquérito para investigar supostos abusos no país.

Eleutério Guevane, da ONU News em Nova Iorque.*

Um relatório das Nações Unidas pede ao Conselho de Direitos Humanos que considere medidas para evitar que a situação piore na Venezuela.

O Escritório de Direitos Humanos cita graves violações e abusos cometidos no contexto dos protestos contra o governo. O documento, publicado esta quarta-feira em Genebra, aponta a existência de ações para “reprimir a dissidência política e incutir medo na população para conter as manifestações”.

Adversários

Para a ONU, o “uso generalizado e sistemático de força excessiva em protestos e a detenção arbitrária de manifestantes e adversários políticos dão a entender que esses atos não seriam ilegais ou não autorizados de funcionários isolados”.

Após o lançamento do relatório, o alto comissário dos Direitos Humanos disse a jornalistas que o presidente Nicolas Maduro foi eleito pelo povo. Zeid Al Hussein defende que desde então, houve uma erosão da vida democrática a qual declarou que “mal vive”.

De acordo com a ONU, os relatos sobre os supostos abusos contra manifestantes anti-governamentais no país sul-americano foram recolhidos fora do país, já que os investigadores da organização não tivera acesso à Venezuela.

Mortos

Os testemunhos apontam para mais de 120 mortos em manifestações ocorridas em todo o país até o final de julho. As forças de segurança estariam ligadas a 46 desses casos e outros 27 são atribuídos a grupos armados pró-governo conhecidos como “coletivos”. Os manifestantes seriam responsáveis por pelo menos quatro mortes.

As medidas a serem pedidas na sessão do Conselho dos Direitos Humanos marcada para 11 de setembro em Genebra,  incluem a criação de uma Comissão de Inquérito sobre supostos abusos na Venezuela ou outro mecanismo de monitoramento.

Zeid insistiu que o seu Escritório estava determinado a manter um diálogo com o governo de Caracas e com figuras importantes como a ex-procuradora-geral Luísa Ortega, que foi demitida em julho pelo Supremo Tribunal da Venezuela.

O alto comissário citou ainda ataques contra jornalistas durante as manifestações antigovernamentais, indicando que a liberdade de expressão e os direitos humanos em geral  também são atacados a nível global.

*Apresentação: Laura Gelbert Delgado.

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