Apelo à punição para quem espalha discurso de ódio contra os Igbo na Nigéria

25 agosto 2017

Peritos das Nações Unidas reagem a ameaça que circula na internet e nas redes sociais contra comunidade do norte; pedido ao governo é que “esteja atento” pelo perigo do discursos e do incitamento ao ódio.

Eleutério Guevane da ONU news em Nova Iorque.

Três especialistas das Nações Unidas expressaram “grave preocupação” com um ultimato para que a minoria Igbo abandone as suas casas na Nigéria.

Em nota lançada esta sexta-feira, em Genebra, os peritos exigem uma investigação para que  “os responsáveis pela criação, publicação e circulação” do conteúdo sejam levados a tribunal e punidos.

Música e mensagem

Os relatores explicam que uma música que incita ao ódio e uma mensagem em áudio foram divulgadas na internet e nas redes sociais.

A gravação em língua hausa incita aos nigerianos do norte a destruir propriedades de comunidade igbo e a matar a todos os que se recusarem a sair de casa antes de 1 de outubro, data do ultimato publicado em 6 de junho.

A ameaça foi feita em entrevista coletiva do Fórum Consultivo Juvenil Arewa na cidade de Kaduna, onde os nigerianos do norte são incitados a atos sustentados e coordenados para retirar os igbo da região.

Violência

Os peritos disseram estar “gravemente preocupados” com a proliferação de mensagens de ódio e de incitamento à violência contra o Igbo e os seus bens, especialmente considerando a história anterior do tipo de violência.

O apelo ao governo é que “esteja atento” pelo facto de o discurso e o incitamento ao ódio poderem “colocar em perigo a coesão social e ameaçar a paz ao aprofundar tensões que existem entre comunidades étnicas da Nigéria”.

Os especialistas em direitos humanos destacam que algumas figuras locais e nacionais, bem como alguns representantes dos média, já haviam denunciado publicamente qualquer forma de discurso e incitamento de ódio. O pedido é que os outros funcionários governamentais sigam o exemplo.

Uma outra questão que levanta preocupação é que “alguns líderes e anciãos locais proeminentes não condenaram o ultimato, o discurso de ódio e os perpetradores”.

*Os assinantes do comunicado são os relatores sobre formas contemporâneas de racismo, discriminação racial, xenofobia e intolerância Mutuma Ruteere, sobre questões de minorias, Fernand de Varennes e a presidente do Comité para a Eliminação da Discriminação Racial, Anastasia Crickley.

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud