Acnur registra queda na chegada de refugiados e migrantes na Europa
BR

24 agosto 2017

Estudo da agência  revela que entre janeiro e junho perto de 80%  dos viajantes seguiram a rota do Mediterrâneo Central do norte de África para a Itália; número de pessoas que atravessaram o mar da Grécia caiu 94%.

Eleutério Guevane, da ONU News em Nova Iorque.

A Agência da ONU para Refugiados revelou esta quinta-feira que o número de refugiados e migrantes que chegaram à Europa por via marítima caiu no primeiro semestre deste ano, em comparação com o mesmo período em 2016.

Cerca de 105 mil pessoas usaram as três rotas principais entre janeiro e junho, ao contrário das 231 mil chegadas pelo mar registadas no mesmo período do ano passado.

Grécia

O estudo revela que 79%  dos viajantes seguiram a rota do Mediterrâneo Central para a Itália. O percurso pelo mar da Grécia teve uma queda de 94%.

O documento revela que ainda sem meios legais ao seu dispor, muitos migrantes optam por ser transportados pelas redes de contrabando e de tráfico arriscando-se à morte, aos abusos sérios ou ambos.

Com mais de 83,7 mil pessoas envolvidas, a travessia a partir do norte de África para Itália manteve os níveis do ano passado numa taxa considerada a mais baixa desde esse período.

Mortes 

Mesmo com a queda no número de chegadas, o estudo revela que ainda é alarmante a probabilidade de se morrer tentando chegar à Europa. Pelo menos 2.253 pessoas perderam a vida ou desapareceram no mar. Nas rotas terrestres houve 40 óbitos registados  dentro ou próximo das fronteiras europeias.

Os dados são difíceis de confirmar porque a maioria das pessoas viajam clandestinamente. O Acnur cita fatores como violência e abusos ao longo da jornada, principalmente na Líbia, que fazem prever que o número seja bem  maior.

De acordo com o relatório,  muitos migrantes e refugiados que chegaram a Itália a partir da Líbia teriam sobrevivido à travessia perigosa pelo deserto  e aos abusos  que incluem violência sexual, tortura e sequestros. No mar, o risco de morrer a caminho da  Itália é uma em cada 39 pessoas.

O alto comissariado da ONU para os Refugiados, Fillipo Grandi,  disse que são moralmente inaceitáveis as  medidas para reduzir o número de refugiados e migrantes que chegam à Europa, sem, ao mesmo tempo intensificar esforços para a paz, o desenvolvimento e segurança nas vias”.

O chefe da agência defende que não se pode ignorar os abusos que ocorrem porque simplesmente acontece longe dos olhares.

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