Guterres destaca papel de líderes religiosos para combater atrocidades
BR

14 julho 2017

Plano de ação foi lançado nesta sexta-feira na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque; secretário-geral alertou para discurso do ódio que, segundo ele, é “um dos sinais de alerta mais comuns” de crimes atrozes.

Laura Gelbert Delgado, da ONU News em Nova Iorque.

Líderes religiosos de diversas partes do mundo se reuniram na sede das Nações Unidas em Nova Iorque nesta sexta-feira para o lançamento de um plano de ação com objetivo de prevenir atrocidades.

No evento, o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse acreditar no poder de líderes religiosos de “moldar o mundo para melhor”. Ele declarou ainda que a fé é “central para esperança e resiliência”.

Discurso de ódio

Guterres declarou, no entanto, que ao redor do mundo vê-se como “a religião tem sido torcida, cinicamente manipulada, para justificar incitamento à violência e discriminação”.

O secretário-geral citou um “aumento alarmante” no discurso de ódio, online e offline, mencionando mensagens que “espalham hostilidade e ódio e encorajam populações a cometerem atos de violência contra indivíduos ou comunidades, muitas vezes com base em suas identidades”.

Para António Guterres, o discurso do ódio “semeia as sementes de suspeita, desconfiança e intolerância” e, com o tempo, pode ter um papel importante em convencer as pessoas de que a violência é “lógica, justificável e até necessária”.

Sinal de alerta

Segundo ele, não é surpresa que o discurso de ódio seja “um dos sinais de alerta mais comuns” de atrocidades como genocídio, crimes de guerra e contra a humanidade.

Entretato, o chefe da ONU ressaltou que como se conhece os sinais de alerta, é possível tomar medidas cedo para prevenir esses crimes. Para Guterres, “a voz, a autoridade e o exemplo de líderes religiosos é fundamental”.

Compromisso para paz

O secretário-geral afirmou que plano de ação lançado nesta sexta-feira tem como base um “compromisso unificador para promover a paz, o entendimento, o respeito mútuo e os direitos fundamentais de todas as pessoas”. Estes incluem os direitos à liberdade de religião e crença, opinião e expressão e associação pacífica.

O plano descreve diversas maneiras pelas quais os líderes religiosos podem prevenir a incitação à violência e contribuir para a paz e a estabilidade. O documento também contém recomendações para Estados e para a comunidade internacional e destaca a importância de mulheres e jovens em todas as iniciativas de prevenção.

Princípios

Guterres ressaltou que todas as religiões ensinam o direito à vida e reconhece os seres humanos como fundamentalmente iguais. Ele fez um apelo pela disseminação mais ampla possível do Plano de Ação e sua implementação.

O plano é resultado de dois anos de consultas lideradas pelo conselheiro especial da ONU sobre Prevenção do Genocídio, Adama Dieng, que falou à ONU News sobre a iniciativa.

Recomendações

Na entrevista, Dieng afirmou que o "plano de ação para prevenir incitamento à violência que poderia levar a crimes atrozes" contém três áreas principais de recomendações.

A primeira é relacionada à prevenção; a segunda, ao fortelecimento de parcerias e capacitação. Por fim, o plano ressalta a construção de sociedades pacíficas, inclusivas e justas através da promoção, respeito e proteção aos direitos humanos e criação de redes de líderes religiosos.

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