Seis anos após independência, crianças no Sudão do Sul ainda esperam a paz
BR

8 julho 2017

Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, chamou a situação no país de “catástrofe para crianças”; mais de 2 milhões de menores fugiram de suas casas para fugir dos combates.

Laura Gelbert Delgado, da ONU News em Nova Iorque.

Na véspera do sexto aniversário da independência do Sudão do Sul, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, lamentou que as esperaças e sonhos das crianças da jovem nação ainda não tenham se materializado.

A agência da ONU chamou a situação no Sudão do Sul de “uma catástrofe para crianças”. Segundo o Unicef, são elas que continuam a suportar o peso do conflito e do colapso de serviços essenciais.

Dificuldades impensáveis

O representante do Unicef no Sudão do Sul, Mahimbo Mdoe, chamou atenção para as “dificuldades impensáveis” enfrentadas pelos menores sul-sudaneses e os obstáculos em áreas como educação, nutrição e saúde.

Mdoe afirmou que mais de 2 milhões de crianças fugiram de suas casas para fugir dos combates. Mais de 2 mil foram mortas ou feridas e muitas outras testemunharam “violência horrível”. No mês passado, o número de menores refugiados chegou a 1 milhão.

Infância negada

Segundo o Unicef, em quase todos os aspectos de suas vidas, as crianças estão tendo sua infância negada no Sudão do Sul.

Cerca de 2,2 milhões não estão na escola. O país tem a maior proporção de menores fora das salas de aula, mais de 70%. Um terço de todas as escolas foram atacadas por grupos armados.

Mais da metade da população sul-sudanesa, ou 6 milhões de pessoas, está em situação de insegurança alimentar. Estimativas são de que 1,1 milhão de crianças estejam intensamente desnutridas, 290 mil delas de forma grave.

Cólera

A agência também alertou que o quase colapso dos sistemas de água e saneamento no país expôs crianças a vírus mortais como o do sarampo e a doenças como cólera.

O atual surto da doença é o mais longo e difundido na história do Sudão do Sul. Desde o início da epidemia há um ano, mais de 10 mil casos foram registrados, 51% deles em crianças.

Pelo menos 2,5 mil crianças foram mortas ou feridas desde a eclosão do conflito em dezembro de 2013. Mais de 17 mil estão atualmente nas fileiras das forças armadas ou de grupos armados, e o recrutamento continua.

Resposta

Em meio às circunstâncias extremamente difíceis, neste ano o Unicef e seus parceiros forneceram tratamento a mais de 293 mil crianças com menos de cinco anos para doenças como malária, pneumonia e diarreia e também para mais de 5 mil casos de cólera.

As agências também forneceram água potável a 500 mil pessoas, instalações de saneamento a outras 200 mil e trataram 80 mil crianças com desnutrição grave.

Além disso, o Unicef forneceu acesso à educação a 184 mil menores, reuniu 434 crianças com suas famílias. Menores que haviam sido associados a grupos armados receberam serviços de reintegração.

A agência continua a aumentar sua resposta de emergência para chegar às pessoas que mais precisam e o representante no país reiterou: “atores humanitários precisam de acesso pleno e seguro e crianças do Sudão do Sul precisam de paz”.

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