Em Lisboa, Guterres fala sobre fragilidades para cumprir Agenda 2030
BR

3 julho 2017

Secretário-geral participa na Conferência Tidewater em Lisboa;  evento é  promovido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico; Guterres deve discutir crises globais com líderes portugueses.

Eleutério Guevane, da ONU News em Nova Iorque.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, está em Lisboa, capital de Portugal, para sua primeira visita oficial ao país desde que assumiu o posto.

Em discurso na Conferência Tidewater sobre desenvolvimento, Guterres agradeceu aos organizadores pela primeira oportunidade que recebia de intervir, inteiramente, em português.

Interligações

“Me é oferecida, pela primeira vez, em mais de seis meses a oportunidade de fazer uma intervenção na minha própria língua, o que naturalmente muito agradeço à organização. A Agenda 2030 está no centro das nossas preocupações. Eu gostaria menos de falar da Agenda 2030 e nos seus aspetos técnicos mas nas suas  interligações com situação mundial no seu conjunto e em particular com as varias áreas da agenda das Nações Unidas seja na paz e segurança, no desenvolvimento inclusivo e sustentável e na ação humanitária seja na afirmação dos direitos humanos.”

O chefe das Nações Unidas falava na Conferência Tidewater, um evento promovido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico até terça-feira.

O representante chamou a atenção dos países para a relação da agenda com a paz, a segurança e o combate ao terrorismo e o impacto sobre o  desenvolvimento. O discurso desatacou como as crises globais são afetadas pela vulnerabilidade.

Desemprego

“O desemprego é hoje não apenas uma tragédia em si mesma para os jovens, mas corresponde a uma das mais sérias ameaças a nossa segurança coletiva. Num estudo recente feito acerca dos combatentes estrangeiros que estão presentes em cenários como Iraque, como a Síria e outros países em crise verificou-se que o fator principal invocado pelos jovens nessas circunstâncias para se dedicarem a essas atividades era a falta de oportunidades no seu próprio país.”

Guterres destacou que combatentes vão de uma crise para a outra no pronunciamento onde citou as situações de Mali, da Nigéria, da Líbia, do Iraque do Afeganistão e Iémen”

Ele sublinhou que além do desemprego juvenil falta de uma “verdadeira oportunidade de género” dada pelos países.

Para Guterres, a fragilidade também aumenta com “mega tendências” como mudanças climáticas, urbanização acelerada, aumento da população, insegurança alimentar e outros que se “autoajudam e auto multiplicam” acentuando a vulnerabilidade.

Discussão

“Não haverá Agenda 2030 com êxito se os Acordos de Paris não forem executados e se não forem executados de forma acrescida, em primeiro lugar e esse é um aspeto que me parece essencial. Em segundo lugar, não haverá êxito da Agenda 2030 se simultaneamente não conseguirmos ter uma discussão racional sobre movimentos de população, sobre mobilidade humana, sobre migrações e se não conseguirmos o debate sobre estas questões em termos decentes.”

O evento é um fórum para discussões estratégicas que envolve representantes de governos, bancos e agências bilaterais e multilaterais de auxílio.

À margem do evento Guterres deve se encontrar com o secretário-geral da OCDE, Angel Gurria, e com o presidente do Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento, Suma Chakrabarti.

Guterres terá esta segunda-feira um encontro com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, para abordar diversos temas mundiais como as situações políticas e humanitárias.

 

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