Guterres: “maior êxodo de refugiados na África desde genocídio de Ruanda”
BR

23 junho 2017

Em Uganda, secretário-geral defende solidariedade internacional como uma questão de justiça;  chefe da ONU pede que tudo seja feito para acabar com  guerra no Sudão do Sul;  país tem 950 mil refugiados em território ugandês.

Eleutério Guevane da ONU News em Nova Iorque.*

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, disse esta sexta-feira que a África enfrenta o “maior êxodo de refugiados desde o genocídio de Ruanda.”

Na Conferência Internacional de Uganda de Solidariedade com Refugiados o chefe da ONU citou o desespero de deslocados do Sudão do Sul. Ele disse que já tinha visto esta situação há sete anos e agora os sul-sudaneses voltaram para a mesma área e vivem nas mesmas condições no território ugandense.

Guerra

Guterres disse que a primeira conclusão é óbvia: que tudo deve ser feito para acabar com a guerra no Sudão do Sul.

O Sudão do Sul é o ponto de origem do maior movimento de refugiados que seguem para Uganda e que segundo o presidente do país, Yoweri Museveni, abriga mais de 1,2 milhão de refugiados.

Museveni falou de pelo menos 950 mil refugiados do Sudão do Sul e mais de 215 mil cidadãos da República Democrática do Congo.

Generosidade

Para o secretário-geral, a solidariedade internacional com Uganda não é uma questão de generosidade mas uma questão de justiça. O chefe da ONU considera a assistência internacional absolutamente crucial neste momento.

Guterres agradeceu a Museveni pelas condições criadas para os que procuram abrigo e pelo seu trabalho em promover a união e esforços para estabelecer a paz no mais novo país do mundo.

O chefe da ONU quer reconhecimento da comunidade internacional ao que chamou de política exemplar de refugiados de Uganda e que continua sendo “o símbolo da integridade do regime de proteção aos refugiados”.

António Guterres disse que essa estrutura não é respeitada por todos os países.

Portas abertas

O secretário-geral declarou que nem todas as portas estão abertas no mundo e que nem todos os refugiados são aceitos. Ele citou que alguns deles são rejeitados às vezes em países muito mais ricos que Uganda.

A ideia do chefe da ONU é que o país africano seja visto como exemplo para que a comunidade internacional se una e restabeleça a integridade do regime de proteção aos refugiados em todo o mundo.

Guterres disse ter visto em Uganda refugiados que não estavam em campos mas em aldeias tal como a população comum. A situação permite que essas pessoas possam cultivar a terra, ir às mesmas escolas e centros de saúde, ter empregos e vidas normais e dignas como qualquer cidadão ugandense.

O  discurso do secretário-geral mencionou danos causados pelas mudanças climáticas no país, como a seca severa que leva à insegurança alimentar em algumas regiões.

Entre os participantes do evento estão os presidentes do Gabão, da Zâmbia, da Somália e os vice-presidentes do Sudão do Sul, do Sudão e do Burundi. Participam também representantes de organizações regionais e internacionais.

*Apresentação: Edgard Júnior.

 

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