Relatório da OMS alerta para o risco de camas bronzeadoras
BR

22 junho 2017

Estima-se que o uso desse tipo de equipamento seja responsável por mais de 450 mil casos de câncer de pele do tipo não-melanoma; maior parte dos usuários são mulheres.

Michelle Alves de Lima, da ONU News em Nova Iorque.*

Um novo relatório da Organização Mundial da Saúde, OMS, alerta que, há mais de três décadas, a exposição deliberada à radiação ultravioleta para fins estéticos tem aumentado a incidência do câncer de pele e reduzido a idade de sua primeira aparição.

O documento, intitulado “Dispositivos de bronzeamento artificial: intervenções de saúde pública para gerenciar camas bronzeadoras”, destaca ações nacionais para limitar o uso de equipamentos de bronzeamento artificial, especificamente as camas bronzeadoras, na tentativa de reduzir os riscos de saúde associados a elas.

Proibir

Entre esses riscos estão o melanoma e outros tipos de câncer de pele, queimaduras e envelhecimento acelerado da pele.

Segundo a diretora do Departamento de Saúde Pública, Ambiental e Determinantes Sociais da Saúde da OMS, Maria Neira, “não há duvidas sobre o fato de que camas bronzeadoras são perigosas para nossa saúde”. Ela salientou que “os países precisam considerar proibir ou restringir o seu uso, e informar a todos os usuários sobre os riscos de saúde”.

De acordo com a agência da ONU, estima-se que o uso desse tipo de equipamento seja responsável por mais de 450 mil casos de câncer de pele do tipo não-melanoma e mais de 10 mil casos de melanoma por ano nos Estados Unidos, na Europa e na Austrália juntos.

A maior parte dos usuários dessas máquinas são mulheres, particularmente adolescentes e jovens adultas.

Em 2009, a Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer da OMS, Iarc, na sigla em inglês, classificou a exposição a equipamentos de bronzeamento que emitem raios ultravioletas como cancerígeno para humanos.

Brasil

Mais de 40 autoridades nacionais e provinciais em todo o mundo já implementaram proibições ou restrições no uso de camas de bronzeamento. No entanto, é preciso fazer mais pra restringir o seu uso.

Países como o Brasil e a Austrália proibiram as camas bronzeadoras comerciais. Na Itália, foram implementados controles legislativos que exigem que os operadores desses equipamentos proibam seu uso por pessoas de pele clara ou grávidas.

Entre outras formas de restrição estão a definição de um limite de idade para a sua utilização, a prevenção do uso do equipamento por pessoas com pele sensível, além da proibição do acesso à máquina sem supervisão.

Conscientização

Medidas adicionais incluem o licenciamento de estabelecimentos que fazem bronzeamento, o limite de exposição a esses equipamentos, o treinamento de operadores e a taxação para as sessões de bronzeamento.

A OMS diz que educar o público através de campanhas de conscientização, avisos e formulários informativos é visto como essencial.

Camas bronzeadoras, lâmpadas solares e cabines de bronzeamento emitem níveis prejudiciais de radiação ultravioleta que podem ser tão intensos quanto a luz solar tropical do meio-dia.

Segundo pesquisa mencionada pela agência da ONU, pessoas que usaram a cama bronzeadora pelo menos uma vez em qualquer estágio de sua vida têm 20% mais chance de desenvolver melanoma comparado com os que nunca usaram o equipamento. E as chances de desenvolver melanoma aumentam em 59% para os que utilizaram a máquina antes dos 35 anos de idade.

*Apresentação: Laura Gelbert.

 

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