Centro de Informação da ONU no Brasil debate crise global dos refugiados
BR

21 junho 2017

Evento realizado no Palácio Itamaraty, no Rio de Janeiro, nesta terça-feira, reuniu cerca de 100 autoridades e sociedade civil; refugiados de vários países que vivem no país também participaram do encontro.

Edgard Júnior, da ONU News em Nova Iorque.*

Para marcar o Dia Mundial do Refugiado, este 20 de junho, o Centro de Informação das Nações Unidas no Rio de Janeiro, Brasil, Unic Rio, reuniu cerca de 100 autoridades e representantes da sociedade civil para debater a crise global de refugiados.

No evento, eles discutiram questões relacionadas ao grande número de refugiados e deslocados internos no mundo devido a conflitos, violência e perseguições.

Dificuldades e conquistas

Participaram também do encontro refugiados da Colômbia, Gâmbia, República Democrática do Congo e da Síria que estão vivendo no Rio. Eles falaram sobre suas dificuldades e conquistas desde que chegaram ao país.

A representante da Agência da ONU para Refugiados, Acnur, no Brasil, Isabel Marquez, disse que “num mundo de incerteza e instabilidade econômica, de convulsões políticas e violências” as pessoas podem “fechar os olhos e as portas”.

Marquez afirmou que o medo e a exclusão levarão as pessoas a um mundo pior.

O diretor do Unic Rio, Maurizio Giuliano, disse que “o Brasil recebe de braços abertos pessoas que fugiram da guerra, da violência, que foram forçadas a se deslocar”.

Segundo ele, “não se trata de sobrevivência, mas do direito de todos os seres humanos a ter uma vida digna”.

Professor

Um dos refugiados presentes ao evento, Charly Kongo, da República Democrática do Congo, é enfermeiro formado mas trabalha como mensageiro em um hotel e como professor de francês.

Casado com uma brasileira e pai de um menino de três anos, Kongo disse que “o Brasil representa o mundo”. Segundo ele, “a presença de negros brasileiros ajuda bastante os migrantes africanos”.

A colombiana Nelly Camacho, chegou ao Brasil em 2012 depois que sua casa foi invadida por guerrilheiros. Ela disse que quando uma pessoa sai de seu próprio país vira um sobrevivente.

Camacho produz e vende artigos de artesanato e também comida colombiana em feiras e eventos.

Mariama Bah, que é de Gâmbia, disse que inicialmente os refugiados não conseguem exercer suas profissões no Brasil. Ela afirmou que os refugiados precisam “se virar” para se sustentar e que “é muito difícil (conseguir trabalho) sobretudo para o refugiado negro”.

Vídeo

O evento do Dia Mundial do Refugiado terminou com a apresentação de vídeo produzido pelo Unic Rio sobre congoleses que vivem na zona norte da cidade e que, mesmo depois de deixar seu país, mantêm importantes tradições.

O vídeo mostrou o casamento de Natacha e Ernest Kunga, que reuniu mais de 300 congoleses na Igreja Betesde da região, no último dia 10 de junho.

*Com reportagem do Unic Rio

 

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