Resposta humanitária diminuiu situação de fome no Sudão do Sul

21 junho 2017

Governo e agências da ONU alertam, entretanto, que sem maior assistência o país pode retornar rapidamente ao estado de fome; conflito, preços dos alimentos e poucas colheitas aumentam insegurança alimentar.

Eleutério Guevane, da ONU News em Nova Iorque.

A dimensão da resposta humanitária no Sudão do Sul diminuiu a fome mas a situação continua grave, revela uma análise divulgada esta quarta-feira.

Depois de a fome ter sido declarada em fevereiro no antigo estado da Unidade, em Leer e Mayandit a situação já não se verifica. Nos municípios de Koch e Panyijiar, que eram então considerados de risco, a situação foi evitada com a ajuda imediata e sustentada.

Insegurança

O estudo revela entretanto que desde fevereiro o número de pessoas sem comida suficiente subiu de 4,9 milhões para 6 milhões. O mais novo país do mundo regista o nível de insegurança alimentar mais alto jamais vivido.

Falando da capital sul-sudanesa, Juba, o representante da FAO no país, Serge Tissot, alertou que este ano o país terá poucas colheitas e a situação de carência alimentar que deve continuar.

O representante contou que sem uma grande assistência humanitária o país vai voltar rapidamente a enfrentar fome. Para Tissot, também é importante saber que a crise não vai terminar cedo com o conflito ainda a atingir as áreas de maior produção e muitos produtores a viver em acampamentos de deslocados.

Assistência

A Classificação Integrada da Segurança Alimentar envolveu o governo, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, o Fundo da ONU para a Infância, Unicef, e o Programa Mundial de Alimentação, PMA.

O estudo explica, entretanto, que 45 mil pessoas no antigo estado de Unidade e Jonglei ainda enfrentam “condições catastróficas” e poderá haver  fome se não for mantida a assistência humanitária.

O diretor de emergências da FAO, Dominique Burgeon, disse que a única maneira de parar a situação de desespero é cessar o conflito, garantir acesso sem obstáculos e permitir que as pessoas retomem os meios de subsistência”.

Fatores

As três agências da ONU alertaram que os ganhos obtidos nos focos de fome não devem ser perdidos. A capacidade de alimentação foi severamente prejudicada e os alimentos de emergência devem continuar para evitar a fome.

Os níveis de desnutrição aguda continuam acima do limite de emergência de 15% definido pela Organização Mundial de Saúde. O pico de 26,1% regista-se em Duk, no estado de Jonglei.

A previsão é que a situação piore em julho, na  época do ano em que os suprimentos alimentares geralmente se esgotam antes da safra seguinte.

O estudo também aponta o aumento dos preços dos alimentos e os efeitos da estação de abastecimento como fatores por detrás da insegurança alimentar no Sudão do Sul.

 

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