Remessas de migrantes são-tomenses tiveram maior aumento entre lusófonos

14 junho 2017

Relatório regista crescimento quase sete vezes maior em 10 anos; Timor-Leste, Moçambique e Cabo Verde ocupam lugares seguintes; índice decresceu no Brasil e na Guiné-Bissau; Fida preocupada com exclusão de milhões de famílias do sistema financeiro formal.

Eleutério Guevane, da ONU News em Nova Iorque.

São Tomé e Príncipe teve uma taxa de crescimento de 696% nas receitas recebidas dos trabalhadores migrantes entre 2007 e 2016.

O Brasil teve um valor cerca de 17%  mais baixo do que registava no início da década, sendo o país lusófono que menos está a depender de receitas de migrantes. A declaração é do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola, Fida.

Importância

O chefe da agência para Migração e Desenvolvimento, Pedro de Vasconcelos, disse à ONU News, em Nova Iorque, que os governos devem perceber mais a importância e o esforço de milhões de migrantes. O total do dinheiro enviado e recebido de migrantes a nível global foi de US$ 445 mil milhões em 2016.

“Grande parte dos US$ 200, até 75%, vai ser para comprar comida, mandar os miúdos para a escola. É para educação, saúde e pagar as contas. É indispensável para a vida de milhões de famílias. Uma parte vai à poupança, talvez por baixo do colchão e não numa instituição financeira, porque o grande problema é que milhões destas pessoas que recebem remessas não estão incluídas no sistema financeiro formal.”

Guiné-Bissau

Na taxa de aumento do dinheiro enviado pelos migrantes às suas famílias em países de língua portuguesa também se destaca Timor-Leste com 524%, Moçambique com 99,7%, e Cabo Verde com 57%. A Guiné-Bissau registou uma descida de 9,9%.

Os dados constam no relatório Envio de dinheiro: Contribuindo para o ODS, uma família de cada vez.

O documento foi lançado na véspera do início do Fórum Global sobre Receitas, Investimentos e Desenvolvimento 2017, que decorre a partir da quinta-feira nas Nações Unidas.