RD Congo: ONU quer investigação internacional à violência em Kassai

9 junho 2017

Chefe dos Direitos Humanos considera insuficiente resposta do governo à violência na região; Angola acolhe 30 mil congoleses que fugiram dos confrontos; Unicef fala de 639 escolas danificadas durante combates.

Eleutério Guevane, da ONU News em Nova Iorque.

O alto comissário dos Direitos Humanos pediu esta sexta-feira uma investigação internacional sobre os assassinatos e os abusos ocorridos nas províncias congolesas de Kassai Central e Oriental, onde foram encontradas “pelo menos 42 valas comuns”.

No Conselho de Direitos Humanos,  Zeid al-Hussein declarou “consistentemente inadequada” a resposta aos abusos generalizados cometidos durante a violência nas províncias da República Democrática do Congo, RD Congo.

Kamuina Nsapu

Angola acolhe pelo menos 30 mil refugiados do conflito na área congolesa, que as Nações Unidas estimam ter morto centenas de civis. Os combates deslocaram 1,3 milhão de pessoas após o seu início com a morte do líder da milícia Kamwina Nsapu por forças do governo em agosto.

Em nota separada, o Fundo da ONU para a Infância, Unicef, revelou que os ataques nas províncias de Kassai danificaram 639 escolas primárias e secundárias, deixando mais de 150 mil crianças fora do ensino.

Vários estabelecimentos de ensino servem de abrigos de emergência para deslocados ou foram ocupados por forças em combate. A agência defende que a insegurança persistente provocou uma “cultura de medo” que cria indisposição nas crianças e nos professores de retornarem às salas de aulas.

Gravidade

Zeid considera que a resposta do governo à violência “não é suficiente, perante a gravidade e a natureza generalizada das violações”.

Informações recolhidas por pesquisadores das Nações Unidas mencionam  que soldados congoleses teriam cavado muitas valas comuns após confrontos com suspeitos membros dos Kamwina Nsapu.

Apesar do lançamento de uma série de investigações nacionais aos crimes das milícias, o chefe dos direitos humanos disse que o governo ainda “não realizou investigações significativas sobre a conduta da sua polícia militar e nacional”.

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