Novo acampamento deve acolher 20 mil refugiados congoleses em Angola

24 maio 2017

ONU apoia preparação do espaço identificado na municipalidade de Lóvoa; província da Lunda Norte continua a acolher pessoas em busca de proteção na sequência da violência em Kasai.

Eleutério Guevane da ONU News em Nova Iorque.

Angola já tem uma nova área para albergar pelo menos 20 mil refugiados da República Democrática do Congo, RD Congo, com apoio das Nações Unidas.  Trata-se de um descampado identificado na municipalidade de Lóvoa, a cerca de 85 quilómetros de Dundo na província da Lunda Norte.

Diariamente até 700 congoleses candidatos a asilo entram no país, contou à ONU News, de Luanda, o coordenador residente da ONU no país.

Caminhada 

Paolo Balladeli descreveu o que considera “situação grave de risco de vida” dos congoleses recém-chegados, após dias de caminhada forçada e em situação traumática.

“São pessoas que correram um grande perigo de vida, têm perdido familiares e chegam a Angola muitos com ferimentos, grandes cortes na cabeça e muitos com braços e pernas amputados. É um conflito onde grupos negativos e fora de controlo cometem atrocidades. As pessoas ficam traumatizadas do ponto de vista mental com as tremendas experiências vividas e crianças que agora estão separadas dos seus pais.”

Apoio

O representante esteve na área com ministros das Relações Exteriores de Angola e da República Democrática do Congo. Uma em cada quatro crianças precisa de apoio no local.

O chefe da ONU em Angola contou que o governo abriu as portas e deu apoio com transporte e segurança. Mas destacou que outras formas de auxílio devem chegar nas próximas semanas, incluindo técnicos especializados do sistema das Nações Unidas, para tratar da situação das vítimas da violência.

“São histórias muito parecidas. Quase todas falam da perda de um ou mais familiares, de uma longa viagem cheia de perigos e de medo. A situação é de esperança de poder encontrar em Angola um lugar para salvar a sua vida e dos familiares.”

Nos primeiros momentos da crise estiveram no local especialistas ligados a áreas como saúde, apoio logístico e avaliação de necessidades alimentares para a população de refugiados congoleses que “tende a aumentar” em Angola.

Em Lóvoa, o local para a construção do novo acampamento carece de investimentos. A ONU promete dar apoio para acolher mais pessoas que estejam em busca de proteção na sequência dos confrontos na província congolesa de Kasai.

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