Mianmar: Unicef alerta que benefícios do desenvolvimento não chegam a todos
BR

23 maio 2017

Novo relatório pede mais acesso humanitário a cerca de 2,2 milhões de crianças afetadas pela violência; agência apela pelo fim de violações dos direitos dos menores. 

Laura Gelbert Delgado, da ONU News em Nova Iorque.

Conflito não resolvido, pobreza e subdesenvolvimento estão impedindo que crianças nas áreas mais remotas de Mianmar colham os benefícios de ações de reforma e reconciliação que estão sendo feitas pelo governo do país.

A avaliação é do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, que em um alerta emitido nesta terça-feira afirmou que medidas socioeconômicas tomadas pelo governo desde 2010 estão começando a fortalecer sistemas em prol da saúde, educação e proteção das crianças.

Compromisso e desafio

Segundo a agência, uma proposta de lei e o aumento do financiamento público para programas de imunização e educação demonstraram um compromisso maior para fortalecer os direitos das crianças no país.

No entanto, o Unicef aponta que apesar deste progresso, a vida continua uma luta para muitas crianças em Mianmar: até 150 menores de cinco anos morrem a cada dia enquanto cerca de 30% sofrem de desnutrição moderada e grave.

Mais de metade das crianças vive abaixo da linha de pobreza. Para o vice-diretor executivo da agência da ONU no país, Justin Forsyth, o país enfrenta um “desafio real de garantir que crianças em todos os lugares, e não apenas nas áreas urbanas, se beneficiem do rápido desenvolvimento da nação”. 

Forsyth alertou ainda para o risco de que muitos menores e suas famílias sejam excluídos. Ele se referiu especialmente a “crianças vivendo em áreas remoras ou presas em situações de tensão ou conflito”.

Rohingya

O Unicef ressaltou que grande atenção internacional tem sido dada ao estado de Rakhine onde 120 mil deslocados internos, incluindo muitos da etnia Rohingya, vivem em campos como resultado de conflitos entre comunidades que começaram em 2012.

A violência aumentou mais uma vez ano passado após ataques a postos de fronteiras.

Acesso

Nos estados remotos de Kachin, Shan e Kayin e outras áreas de fronteiras, combates recorrentes entre militares de Mianmar e grupos étnicos armados continuam forçando a fuga das famílias de suas casas.

Segundo o Unicef, civis se encontram em risco de pobreza, apatridia e tráfico e com acesso limitado a serviços básicos de saúde e educação.

O relatório pede melhor acesso humanitário a 2,2 milhões de crianças afetadas pela violência e um fim à violação de seus direitos, incluindo o uso como soldados.

O documento foi divulgado antes da segunda conferência nacional de paz de Mianmar, que será realizada nesta quarta-feira. Para a agência da ONU, o encontro é uma oportunidade para um compromisso com a proteção mais forte de crianças de conflito.

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