Situação da população Lgbti em El Salvador preocupa escritório da ONU
BR

12 maio 2017

Segundo porta-voz do Escritório de Direitos Humano, Ravina Shamdasani, desde o início de 2017, pelo menos sete transgêneros foram assassinados no país.

Laura Gelbert Delgado, da ONU News em Nova Iorque.

A situação frágil de lésbicias, gays, bissexuais, transgêneros, e intersexuais em El Salvador é motivo de “profunda preocupação” para o Escritório de Direitos Humanos da ONU.

Segundo a porta-voz do Escritório, Ravina Shamdasani, desde o início de 2017, pelo menos sete transgêneros foram assassinados no país.

Ameaça

No fim de abril, uma importante defensora de direitos humanos da população Lgbti, Karla Avelar, teria sido visitada em sua casa em San Salvador, por três homens que a ameaçaram e exigiram dinheiro.

Após a visita, Avelar foi forçada a fugir de sua casa mais uma vez. Nos último dois anos, ela foi obrigada a se mudar seis vezes por questões de segurança. Avelar, que é ela mesmo transgênera, enfrentou violência e intimidação diversas vezes ao longo de décadas.

Ela sobreviveu duas tentativas de assassinato em 1992 e 1997 quando foi atingida por tiros múltiplas vezes e foi gravemente ferida.

Apelo à proteção

O Escritório de Direitos Humanos da ONU fez um apelo ao governo de El Salvador que tome medidas urgentes para garantir a proteção de Karla Avelar e outros ativisitas e indivíduos Lgbti que estão sob ameaça.

As ações incluiriam a criação de um mecanismo eficaz de proteção para defensores de direitos humanos trabalhando com direitos sexuais e reprodutivos e com ativistas Lgbti.

Impunidade

O relatório anual de 2016 do Escritório do Ombudsman de El Salvador afirmou que 52% das mulheres trans pesquisadas afirmaram terem recebido ameaças de morte.

O Escritório afirmou que a alta taxa de impunidade e a falta de investigações rápidas e eficazes são “endêmicas” no país e “claramente também afetam crimes cometidos contra a comunidade Lgbti”.

O órgão pediu ao governo que conduza investigações “rápidas, minuciosas e eficazes” a crimes de ódio contra a comunidade Lgbti.

O escritório regional de direitos humanos da ONU para América Central está acompanhando de perto a situação e está pronto para assitir e aconselhar o governo de El Salvador neste e em outros desafios de direitos humanos no país.

O órgão também tem fornecido apoio ao procurador geral, incluindo no treinamento para promotores sobre justiça transicional.

 

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