ONU pede que Eritreia liberte jornalista cujo paradeiro é desconhecido

3 maio 2017

Dawit Isaak foi vencedor de prêmio da Unesco este ano; o fundador do primeiro jornal independente do país foi preso em 2001, mas desde 2005 não há notícias dele; especialista em direitos humanos faz apelo ao governo.

Leda Letra, da ONU News em Nova Iorque.

No Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, este 3 de maio, uma especialista de direitos humanos da ONU está a fazer um apelo ao governo da Eritreia. A relatora Sheila B. Keetharuth está a pedir a libertação do jornalista Dawit Isaak, que foi preso em 2001.

A especialista sobre a situação dos direitos humanos na Eritreia afirma que “as autoridades devem acabar com prisões e detenções sem base legal”. O jornalista e escritor Dawit Isaak tem 52 anos e recebeu o prémio Unesco/Guillermo Cano de Liberdade de Imprensa 2017.

Tortura

Isaak mudou-se para a Suécia em 1987, onde conseguiu cidadania. Retornou à Eritreia em 1993, após a indepedência do país e foi um dos fundadores do Setit, o primeiro jornal eritreu independente.

Foi preso em setembro de 2001 durante uma repressão política a um grupo de políticos e jornalistas que criticavam o governo. Segundo a relatora da ONU, alguns foram torturados na prisão e outros desapareceram.

A última vez que se teve notícia de Isaak foi em 2005 e seu paradeiro continua desconhecido 12 anos depois. A especialista afirma que este caso é um símbolo de todos os que foram sujeitos a desaparecimentos forçados pelo governo da Eritreia.

Abusos

Keetharuth lembra que o governo eritreu tem a obrigação de fornecer informações sobre o destino de todos os privados de liberdade física. Este seria um primeiro sinal de compromisso em reconstruir a confiança com a população.

A relatora especial relembra que a Comissão de Inquérito da ONU sobre Direitos Humanos na Eritreia concluiu haver base suficiente para crer que as autoridades do país cometeram crimes contra a humanidade, como desaparecimentos forçados, de maneira persistente desde 1991.

Os relatores especiais especiais fazem parte do Conselho de Direitos Humanos da ONU e trabalham de forma voluntária, sem receber salário. Eles não são funcionários das Nações Unidas e trabalham de forma independente de qualquer governo ou organização.

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