Angola: Acnur envia avião com ajuda para refugiados da RD Congo

1 maio 2017

Mais de 11 mil pessoas que fugiram da recente vaga de violência na região de Kasai; agência da ONU enviará mais itens de assistência ao país lusófono nos próximos dias.

Laura Gelbert Delgado, da ONU News em Nova Iorque.*

Um avião a carregar itens de assistência da Agência da ONU para Refugiados, Acnur, chegou em Luanda, capital angolana, no domingo para ajudar mais de 11 mil pessoas que fugiram da recente vaga de violência na República Democrática do Congo.

A aeronave, com apoio da empresa UPS, chegou de Dubai a transportar 3,5 mil lençóis de plásticos, 17 mil colchonetes, 16,9 cobertores térmicos, 8 mil mosquiteiras, além de milhares de itens de cozinha e 100 rolos plásticos para proteção durante a temporada de chuvas.

Conflito brutal

A agência da ONU enviará mais itens de assistência a Angola nos próximos dias. Segundo o Acnur, o “conflito brutal” na região previamente pacífica de Kasai, na República Democrática do Congo, já desalojou mais de 1 milhão de civis dentro do país desde meados de 2016.

Assistência humanitárias aos recém-chegados será distribuída na área de Dundo, onde os refugiados estão acomodados em centros de acolhimento improvisados desde o início de abril.

De acordo com o Acnur, os refugiados, incluindo cerca de 4 mil crianças estão a chegar exaustos, muitos com “sinais visíveis de violência” e a levar pouquíssimos recursos consigo. A agência também alertou para as condições dos centros de receção lotados.

Emergência

A representante regional do Acnur para o sul de África, Sharon Cooper, afirmou que as pessoas a chegar precisam urgentemente de assistência vital, como comida, água, abrigo e serviços médicos.

Uma equipa de emergência da agência da ONU está presente em Luanda e Dundo para responser às necessidades dos refugiados e coordenar a responsta humanitária com o governo, autoridades locais e parceiros no terreno.

O governo está a planejar alocar um novo local em Nzaji, município de Camulo, a cerca de 90 kilómetros da fronteira. O sítio foi usado anteriormente para abrigar deslocados internos durante a guerra civil em Angola.

Fronteira aberta

A fronteira é administrada pelo exército angolano. O Acnur pediu ao governo que permita que os refugiados continuem a atravessá-la, forneça acesso irrestrito à agência para que esta possa ajudar os recém-chegados e que não envie de volta à RD Congo pessoas a fugir da violência.

Angola abriga atualmente cerca de 56,7 mil refugiados e solicitantes de asilo, quase 25 mil destes da República Democrática do Congo.

O Acnur no país lusófono africano tinha um orçamento anual inicial de US$ 2,5 milhões para proteger a assistir 46 mil pessoas. Em resposta à atual emergência, a agência da ONU está a apelar por um total de US$ 5,5 milhões para fornecer assistência imediata.

*Apresentação: Denise Costa.

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