Chefes de agências humanitárias apelam por grande aumento na ajuda à RCA

1 maio 2017

Conflito e frequentes vagas de violência desalojaram um quinto da população; plano de resposta humanitária para República Centro-Africana em 2017 foi apenas 10% financiado até o momento.

Laura Gelbert Delgado, da ONU News em Nova Iorque.

Os chefes de agências humanitárias fizeram um apelo urgente ao mundo para que não negligencie a República Centro-Africana.

Segundo o Escritório da ONU para Coordenação de Assuntos Humanitários, Ocha, o conflito e frequentes vagas de violência no país desalojaram mais de 884 mil pessoas. O número representa um quinto da população.

Necessidade extrema

O Ocha afirmou que a crise agravou a situação de fome e desnutrição e impediu que a ajuda chegasse a pessoas em “extrema necessidade”.

A coordenadora humanitária na República Centro-Africana, Najat Rochdi, afirmou que as pessoas precisam de apoio “agora”. Para a representante, “indiferença e negligência não são uma opção porque a paz está em jogo”.

Representantes regionais de agências das Nações Unidas e ONGs fizeram uma visita de quatro dias ao país onde se reuniram com comunidades afetadas, sociedade civil, doadores, trabalhadores humanitários e autoridades.

Seu apelo por atenção internacional e recursos tem uma “nova urgência” após uma escalada nos ataques no leste e no noroeste do país que levaram a mais deslocamentos.

No entanto, a falta de recursos fez com que instituições de assistência humanitária e desenvolvimento reduzissem ou até fechassem operações.

Assistência e perigo

Quase metade da população, ou 2,2 milhões de pessoas, depende de assistência humanitária para sobreviver.

Devido à falta da presença do Estado e de serviços em muitas áreas, trabalhadores humanitários estão a entregar mais de 50% dos serviços essenciais à população.

No entanto, a República Centro-Africana registou uma das maiores taxas do mundo de ataques a estes agentes: seis foram mortos apenas em 2016.

Recursos

Contínuo subfinanciamento também ameaça o fornecimento de assistência vital. O plano de resposta humanitária para o país em 2017, orçado em US$ 400 milhões, foi apenas 10% financiado até o momento.

O plano para o ano passado recebeu menos de 40% dos recursos necessários. Em algumas áreas, a retirada de parceiros humanitários devido à falta de financiamento adequado está a aumentar a vulnerabilidade de muitas pessoas, já que estes frequentemente são os únicos fornecedores de serviços básicos.

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