Unicef pede ação para evitar mais mortes de crianças no Mediterrâneo
BR

21 abril 2017

Agência calcula que mais de 150 morreram desde janeiro; quase 37 mil refugiados e migrantes chegaram à Itália pelo Mediterrâneo Central desde o início do ano; número é 42% maior que mesmo período do ano passado.

Laura Gelbert Delgado, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, calcula que pelo menos 849 pessoas, incluindo mais de 150 crianças, morreram no Mediterrâneo desde janeiro enquanto tentavam fazer a perigosa travessia no mar.

No entanto, segundo a agência, este número é provavelmente maior já que muitos menores se deslocando estão desacompanhados, então, frequentemente suas mortes não são registradas.

“Aumento dramático”

O Unicef pediu meios seguros e legais de migração para as pessoas que estão fugindo de conflito e pobreza

Desde o início do ano, quase 37 mil refugiados e migrantes, 13% crianças, chegaram à Itália pelo mar pela rota do Mediterrâneo Central. O número representa um aumento de 42% em comparação ao mesmo período do ano passado.

A agência ressalta que especialmente crianças desacompanhadas e separadas de suas famílias estão em risco maior e estes números aumentaram de forma dramática.

Em janeiro e fevereiro deste ano, cerca de 1.865 menores nestas situações chegaram na Itália, um aumento de 40% em comparação ao mesmo período do ano passado.

Águas calmas

O Unicef também mencionou que temperaturas mais quentes e águas mais calmas no Mediterrâneo foram acompanhadas por um aumento no número de refugiados e migrantes tentando fazer a travessia.

Apenas durante o fim de semana de Páscoa, mais de 8,3 mil pessoas foram resgatadas no mar entre a Líbia e a Itália.

Como parte de sua política global para crianças em movimento, a agência da ONU tem pedido mais medidas para proteger menores refugiados e migrantes, especialmente os desacompanhados.

O Unicef também defende o fim da detenção de crianças buscando refúgio ou migrando e a promoção de medidas para combater a xenofobia, descriminação e marginalização em países de trânsito e destino.

A agência também destaca a necessidade de manter as famílias unidas como a melhor forma de proteger as crianças e dar a elas status legal.

O Unicef defende que sejam garantidas oportunidades de aprendizado a todos os menores refugiados e migrantes, assim como acesso a cuidados de saúde e outros serviços.

A agência ressalta ainda a importância de abordar as causas do movimentos de migrantes e refugiados em grande escala.

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