Relatores da ONU marcam 3º aniversário do rapto de meninas em Chibok

13 abril 2017

Jovens nigerianas foram sequestradas por milícias Boko Haram em 14 de abril de 2014; relatores fazem novo apelo por raparigas “esquecidas”.

Laura Gelbert Delgado, da ONU News em Nova Iorque.

Especialistas em direitos humanos das Nações Unidas* estão fazendo um novo apelo ao governo da Nigéria: que tome todas as medidas necessárias para resgatar as 195 meninas ainda desaparecidas após terem sido sequestradas em 2014 em sua escola em Chibok, noroeste do país.

Para os relatores especiais da ONU, é “profundamente chocante que três anos após este ato de violência deplorável e arrasador, a maioria das raparigas ainda esteja desaparecida”.

Longa jornada

As meninas fazem parte do grupo de 276 estudantes raptadas há três anos, a 14 de abril de 2014, por milícias armadas do grupo terrorista Boko Haram.

Os especialistas saudaram a libertação de 21 dos reféns em outubro de 2016 como um “passo positivo e uma chance para que possam começar sua longa jornada de recuperação e reabilitação”.

Esquecimento

No entanto, os relatores ressaltaram que “com a passagem do tempo, há um risco de que o destino das meninas restantes seja esquecido” o que, para eles, não se pode permitir que aconteça.

Os peritos defendem que deve haver mais que o governo da Nigéria, com apoio da comunidade internacional, possa fazer para localizá-las.

Dor imensa

Os especialistas garantiram que o “contínuo cativeiro é uma fonte de imensa dor para suas famílias e comunidades e é simplesmente inaceitável”.

Eles lembraram ainda que as meninas de Chibok não são as únicas sofrendo nas mãos do Boko Haram. Como descrito no relatório produzido após a visita dos especialistas à Nigéria, estima-se que milhares de mulheres e crianças tenham sido sequestradas desde 2012.

Para os especialistas em direitos humanos da ONU, é preciso “garantir que todas as medidas possíveis sejam tomadas para localizar e resgatar todos”.

Primeiro passo

Segundo os peritos, é também “vital lembrar que a libertação é apenas o primeiro passo que as meninas de Chibok e outras pessoas sequestradas pelo Boko Haram devem tomar para começar a reconstruir suas vidas”.

Eles ressaltam que a reabilitação e a reintegração não são fáceis e é preciso assegurar que todas as pessoas resgatadas tenham todo o apoio necessário.

*Os especialistas:

Maud de Boer-Buquicchio, relatora especial sobre a venda de crianças, prostituição e pornografia infantis;

Dainius Pûras, relator especial sobre o direito à saúde;

Maria Grazia Giammarinaro, relator especial sobre tráfico de pessoas, especialmente mulheres e crianças;

Dubravka Simonovic, relatora especial sobre violência a mulheres, suas causas e consequências.

Alda Facio, atualmente relatora-chefe do grupo de trabalho sobre a questão da discriminação a mulheres na lei e na prática.

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