ONU recebeu um quinto dos fundos para apoiar pessoas em risco de fome

11 abril 2017

Ocha alerta que apoio é urgente para Nigéria, Somália, Sudão do Sul e Iémen; Moçambique entre os países que precisam de dinheiro; Acnur alerta que catástrofe humanitária pode ser inevitável em África.

Eleutério Guevane, da ONU News em Nova Iorque.*

As Nações Unidas receberam apenas 21% dos US$ 4,4 mil milhões que precisam este ano para ajudar as pessoas que enfrentam risco de fome no nordeste da Nigéria, na Somália, no Sudão do Sul e no Iémen.

O Escritório dos Assuntos Humanitários, Ocha, necessita de apoio urgente para ações de prevenção e resposta. Cerca de 20 milhões de pessoas precisam de ajuda em alimentos, artigos de saúde, nutrição, água, saneamento e higiene.

Necessidades Humanitárias

As necessidades humanitárias globais estão em níveis sem precedentes, sendo preciso um total de US$ 22,8 mil milhões para atender a quase 100 milhões de pessoas.

De acordo com a Visão Global Humanitária, lançada em dezembro, foram pedidos US$ 22,2 mil milhões com a soma de novos apelos feitos por países como Quénia, Madagáscar, Moçambique e Peru.

Risco de fome

A Agência da ONU para Refugiados, Acnur, alertou que o risco de fome aumenta rapidamente por causa da seca e dos conflitos na Nigéria, na Somália, no Sudão do Sul e no Iémen.

Nas áreas mais afetadas, as colheitas fracassaram e as taxas de desnutrição sobem particularmente entre crianças.

Sul-sudaneses

No Sudão do Sul, mais de 1 milhão de pessoas estão agora à beira de passar fome. Em fevereiro as Nações Unidas declararam a situação em algumas áreas.

A agência disse que está a aumentar o nível de alerta nessas áreas e chamou a atenção para o risco de mortes em massa devido à fome enfrentada pelas populações no Corno de África, no Iémen e na Nigéria.

A nota destaca que a situação é “absolutamente crítica” e evolui de forma rápida da África Ocidental para o leste do continente.

Sudão e Uganda

O Acnur anunciou que muitas pessoas fugem dos seus países e que aumentou o número de refugiados sul-sudaneses nos vizinhos Sudão e Uganda.

Para a agência, uma catástrofe humanitária está a tornar-se inevitável. A situação era possível evitar mas pode tornar-se talvez  pior do que em 2011. Nessa altura, 260 mil pessoas morreram de fome no Corno de África, sendo a metade delas crianças.

A nota destaca que o problema é que “as crises humanitárias na África Subsaariana tendem a ser sempre ignoradas até que seja tarde demais”. O apelo é que seja evitada uma repetição da fome a todo custo.

Para o Acnur, o aumento das suas operações é limitado pelo grave déficit de financiamento estando alguns programas financiados apenas entre 3% e 11%.

*Apresentação: Denise Costa.

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