108 milhões no mundo sofrem de insegurança alimentar severa
BR

31 março 2017

Alerta é da FAO; em período de um ano, 28 milhões a mais de pessoas passaram a enfrentar condição; diretor da agência explica que conflitos e desastres naturais tornam a situação “explosiva”.

Leda Letra, da ONU News em Nova Iorque.

O número de pessoas sofrendo de insegurança alimentar severa está aumentando no mundo: são 108 milhões nesta condição, contra 80 milhões em 2015.

Ao divulgar os dados nesta sexta-feira, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, explicou que a situação reflete o problema que as pessoas estão tendo para produzir ou ter acesso aos alimentos.

Eventos do clima

São impactos de conflitos, alta nos preços e eventos extremos do clima, como seca ou chuvas pesadas causadas pelo El Niño. De Roma, o diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva, explicou ser possível garantir que a população tenha o suficiente para comer todos os dias.

“O assustador disso é que isso pode ser evitado. Não podemos evitar uma seca, mas podemos evitar que uma seca se transforme em fome. O Nordeste brasileiro é um bom exemplo disso. Nós sofremos com três anos seguidos de seca e não houve fome graças às políticas preventivas que foram adotadas pelos governos. O mais assustador hoje é que o que explica grande parte dessas situações de insegurança alimentar aguda são conflitos e desastres naturais.”

Confrontos

Segundo o diretor-geral da FAO, existem quatro países em risco de declarar a fome: Sudão do Sul, Somália, Iêmen e norte da Nigéria. Graziano da Silva destaca que em outras nações, a insegurança alimentar é severa porque não existe paz.

“Quando se juntam conflito e desastres naturais, a situação se torna explosiva. É o caso da Somália, de algumas regiões da Etiópia, é o caso da República Centro-Africana e é o caso sobretudo do Iêmen e da Síria. Nesses lugares, a paz é uma pré-condição para se enfrentar a questão da fome. Sem paz não há segurança alimentar, da mesma maneira que sem segurança alimentar não há paz duradoura.”

De acordo com o diretor-geral da FAO, as 108 milhões de pessoas sofrendo de insegurança alimentar severa apresentam índice de desnutrição acima do normal e pouco acesso à comida, mesmo com ajuda externa. Sem ações fortes para melhorar a situação, essas populações correm o risco de passar fome.

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