Unicef diz que malnutrição e cólera colocam Somália em situação de alerta

30 março 2017

Em dois meses, centros de nutrição trataram mais de 35,4 mil crianças graves; agência da ONU regista casos de cólera que superam os mais de 15,6 mil registados no ano passado.

Eleutério Guevane, da ONU News em Nova Iorque.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, considera os números de crianças afetadas pela desnutrição e a cólera na Somália motivo de alerta.

Centenas de centros de nutrição apoiados pela agência trataram mais de 35,4 mil crianças entre janeiro e fevereiro. O número corresponde a aumento de 58% em relação ao mesmo período do ano passado.

Crianças pequenas

Mais de 18,4 mil casos de cólera e diarreia aguda foram registados desde o início de 2017, superando os 15,6 mil que foram relatados em todo o ano passado. A maioria dos casos ocorre em crianças pequenas.

A diretora regional do Unicef para a África Oriental e Austral, Leila Pakkala, visitou esta quinta-feira vários deslocados e pacientes num centro de tratamento da área de Baidoa. A representante revelou que no local as crianças morrem de desnutrição, fome, sede e doenças.

Não existem dados precisos sobre o número de óbitos devido à fome ou à subnutrição porque muitos menores perdem a vida por causa das doenças e infeções.

Situação de fome

Durante a fome de 2011, cerca de 130 mil crianças morreram em todo o país, sendo que metade dos casos ocorreu antes de a fome ter sido declarada. As principais causas de morte foram a diarreia e o sarampo.

A agência disse que trabalha com parceiros para garantir que esse cenário não se repita, mas revelou que as crianças que sofrem desnutrição aguda são nove vezes mais propensas a morrer de doenças do que as bem nutridas.

O Unicef prevê uma pior fome este ano na Somália por haver carências em várias áreas que não tinham sido afetadas há seis anos.

Até junho, a agência apoia o abastecimento de produtos essenciais e executa um plano para garantir apoio móvel em nutrição e distribuição de água, saneamento e serviços de saúde nas áreas mais afetadas pela cólera e pela diarreia.

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