ONU: 1,4 mil crianças morreram em dois anos de conflito no Iêmen
BR

27 março 2017

Mais de dois terços da população precisa de ajuda humanitária; 500 mil crianças sofrem de desnutrição aguda grave; colapso do sistema de saúde  coloca 15 milhões de pessoas sem acesso a cuidados.

Eleutério Guevane, da ONU News em Nova Iorque.*

O conflito no Iêmen completa dois anos nesta semana e desde então, mais de 1,4 mil crianças morreram, segundo o subsecretário-geral da Nações Unidas para Assuntos Humanitários.

Stephen O’Brien destaca que apesar dos esforços internacionais para um acordo político global negociado, os iemenitas familiarizaram-se com “sons de ataques aéreos, bombas, balas e artilharia”, que muitas vezes representam o som de mais uma morte.

Magnitude

A nota sublinha que dezenas de milhares de civis perderam a vida, sendo que “o número de vítimas contradiz a magnitude da tragédia” em curso no Iêmen.

O’Brien cita a destruição da economia iemenita, que provocou a falta de alimentos, o deslocamento de mais de 3 milhões de pessoas e os impedimentos a ações humanitárias, que pretendem aliviar o sofrimento e salvar vidas.

As Nações Unidas lembram que o país está à beira da fome, com 19 milhões de iemenitas carentes de assistência. O número corresponde a mais de dois terços da população. Neste momento, 7 milhões de pessoas enfrentam a fome no país.

Ajuda urgente

Em nota separada, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, disse que fornece ajuda urgente para salvar as crianças mais vulneráveis. O apoio inclui vacinas, alimentos, além do  tratamento de desnutrição grave, apoio à educação, aconselhamento psicossocial e assistência monetária.

Meio milhão de crianças sofrem de desnutrição aguda grave devido à guerra no país mais pobre do Oriente Médio. O número representa um aumento de 200% em relação a 2014, destaca o Unicef.

A agência apela ao cessar-fogo imediato e ao fim das violações dos direitos humanos das crianças. O Unicef explica que com a diminuição dos recursos das famílias, mais crianças são recrutadas pelos lados em conflito e são envolvidas no casamento precoce.

Colapso

Mais de dois terços das meninas casaram-se antes de completar18 anos, comparáveis aos 50% antes do conflito ter agravado.

Cerca de 80% das famílias estão endividadas e metade da população do Iêmen vive com menos de US$ 2 por dia.

O sistema de saúde está à beira do colapso e 15 milhões de pessoas não têm acesso a cuidados de saúde. Casos de cólera e diarreia aguda continuam aumentando, após terem sido registrados 22,5 mil casos suspeitos e 106 mortes .

Pelo menos 1,6 mil escolas não podem ser usadas porque foram destruídas, danificadas ou utilizadas para acolher famílias deslocadas ou ainda ocupadas pelas partes no conflito iemenita.

Esse problema coloca que 350 mil crianças sem acesso à educação, o que fez subir para 2 milhões o  total de menores fora da escola.

*Apresentação: Leda Letra.

Notícias relacionadas:

ONU afirma que mais de 80% dos iemenitas precisam de ajuda humanitária

Angelina Jolie lembra Vieira de Mello em apelo à internacionalização

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud