Comissão da ONU sobre direitos e autonomia das mulheres começa 2ªfeira
BR

13 março 2017

Enfoque do encontro de duas semanas será o mercado de trabalho; diretor da Organização Internacional do Trabalho em Nova Iorque cita pesquisa feita no Brasil que mostra que 32% dos homens acreditam que “mulheres não deveriam trabalhar e deveriam ficar somente em casa.”

Laura Gelbert Delgado, da ONU News em Nova Iorque.

Começa nesta segunda-feira na sede das Nações Unidas a reunião da Comissão sobre o Estatuto da Mulher, conhecida por sua sigla em inglês, CSW.

A Comissão é o maior fórum de Estados-membros da ONU e outros atores internacionais para discutir direitos e autonomia das mulheres, buscando criar consenso e compromissos para recomendações de políticas que podem ser implementadas.

Brasil

Neste ano, o enfoque do encontro é a autotomia econômica das mulheres num mundo do trabalho em mudança.

Em entrevista à ONU News, em Nova Iorque, o diretor do Escritório da Organização Internacional do Trabalho, OIT, Vinícius Pinheiro, falou sobre a pesquisa feita pela agência e o Gallup, mostrando detalhes sobre a mulher no mercado de trabalho.

“Em relação ao Brasil, por exemplo, se você pergunta às mulheres se elas querem trabalhar ou ficar em casa, em geral, cerca de 72% das mulheres dizem que preferem um trabalho remunerado a ficar em casa. Dentro desse total, se você pergunta se elas querem ficar em casa e trabalhar ao mesmo tempo, ou seja, trabalhar e ao mesmo tempo lidar com as atividades familiares, cerca de 28% delas dizem que sim e 26% dizem só querem trabalhar e não cuidar das atividades familiares. Se você perguntar aos homens se eles querem que as mulheres trabalhem, 66% dizem que sim e 32% dizem que as mulheres não deveriam trabalhar e deveriam ficar somente em casa.”

Trabalho

Segundo a ONU Mulheres, a sessão acontece em um momento crucial com a implementação da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Suntentável ganhando impulso e o mundo do trabalho transformando rapidamente.

Para a agência, isso traz desafios e oportunidades para a autonomia econômica das mulheres e justiça econômica.

Inovação e discriminação

A ONU Mulheres menciona que embora o mercado de trabalho atual esteja cada vez mais moldado por inovação, globalização e mobilidade humana, ele também é altamente impactado por “persistente discriminação com base em gênero, informalidade crescente e desigualdade na renda”.

Segundo a agência, apenas 49,6% das mulheres em idade produtiva estão no mercado de trabalho em comparação a 76% dos homens e elas assumem funções não remuneradas 2,5 vezes mais.

A sessão da CSW discutirá questões que, de acordo com a ONU Mulheres, impactam de forma significativa mulheres e meninas na esfera do trabalho. Entre os temas estão o trabalho não remunerado, diferenças de salários, desafios da economia informal e oportunidades criadas pela economia verde e novas tecnologias.

A 61ª sessão da CSW será realizada até o dia 24 de março e é presidida pelo embaixador brasileiro, Antonio Patriota.

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