Enviado da ONU afirma que impasse político é mais profundo no Burundi

9 março 2017

Representante disse que segurança tende a piorar no país; presidente tanzaniano Benjamin Mkapa descreveu os pontos de divergência entre governo e oposição; um quarto da população burundesa precisa de ajuda humanitária.

Eleutério Guevane, da ONU News em Nova Iorque.

A situação “preocupante” de segurança no Burundi só tem piorado, revelou esta quinta-feira o enviado especial do secretário-geral para o país.

Jamal Benomar apresentou um informe ao Conselho de Segurança que destaca o agravamento da situação humanitária e o contínuo impasse político no país dos Grandes Lagos.

Abusos

Benomar citou alegados casos de abusos de direitos humanos, assassinatos extrajudiciais, prisões arbitrárias, desaparecimento forçado e tortura além de restrições de liberdades de expressão, associação e movimento.

O representante mencionou  dados do Escritório da ONU para os Direitos Humanos dando conta de 210 violações registadas entre outubro de 2015 e janeiro passado. Ele disse que vários burundeses vivem com medo das milícias Imbonerakure, aliadas ao partido no poder.

Falando via videoconferência, o antigo presidente tanzaniano Benjamin Mkapa descreveu os pontos de divergência entre o governo burundês e a oposição nas conversas que tem mantido em separado.

Hutus e tutsis

Mkapa disse que as partes reclamam ser as guardiãs da Constituição e do Acordo de Arusha que pôs fim à guerra civil.

O pacto prevê a distribuição de poder entre etnias maioritárias hutu e tutsi. Ele acrescentou que cada um dos lados tende a olhar para o outro “como criminoso, e que deve ser alvo das duras medidas do Estado e da comunidade internacional.”

O ex-líder tanzaniano apoia o principal mediador do processo em nome da região e líder ugandês, Yoweri Musseveni.

Benomar disse que ainda não há progressos significativos no processo de diálogo sobre o Burundi desde que o governo boicotou as negociações, e os dois lados não voltaram a sentar-se à mesma mesa.

As Nações Unidas estimam que 390 mil burundeses fugiram para as nações vizinhas. A previsão é que o número suba até meio milhão no fim do ano.

Em 2016, um total de 3 milhões de pessoas precisavam de assistência humanitária no Burundi, um número que equivale a um quarto da população do país.

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