ONU recolhe mais dados sobre abusos em áreas afetadas pelo Boko Haram

9 março 2017

Vice-secretária-geral da organização anunciou envio de mais funcionários de direitos Humanos à Bacia do Lago Chade; no Conselho de Segurança, diplomatas contaram de novas táticas e mais barbaridade do grupo no terreno.

Eleutério Guevane, da ONU News em Nova Iorque.

A situação de segurança nos Camarões, no Chade, no Níger e na Nigéria dominou esta quinta-feira uma sessão que abordou a visita de embaixadores dos países-membros do Conselho de Segurança à Bacia do Lago Chade.

A vice-secretária-geral das Nações Unidas, Amina Mohammed, destacou que os efeitos da seca e o risco de fome pairam sobre as populações da região que sofrem com as ações das milícias terroristas islâmicas Boko Haram.

 Terrorismo

Amina Mohammed disse que as Nações Unidas vão enviar mais funcionários de direitos humanos para recolher informações sobre a violação de direitos humanos e do direito internacional na região. Sem revelar números, ela destacou que a organização quer assegurar que as ações contra o terrorismo vão completamente de acordo com as leis internacionais.

O embaixador do Reino Unido junto às Nações Unidos disse acreditar que a deslocação da semana passada tenha trazido um maior foco na situação, que tem sido negligenciada mesmo com os confrontos do Boko Haram.

Mattew Rycroft disse que no meio do “horror” há histórias de sucesso como a da libertação de 20 mil pessoas pela força multinacional.

Milícias

O diplomata britânico afirmou que segurança continua frágil e citou comandantes militares falando de táticas e maior barbaridade, mães usadas em ataques suicidas e a crueldade sem fronteiras das milícias.

Como exemplo dos efeitos do conflito, Rycroft mencionou a prostituição de vítimas para a sua sobrevivência, os abusos sofridos por dissidentes, os maus tratos aos suspeitos terroristas, os assassinatos e o incêndio de casas.

O embaixador disse haver alguma esperança pelo facto de várias pessoas estarem a ser libertadas após o conflito ter provocado mais de 20 mil mortos e 2,3 milhões de deslocados.

Vítimas

Ele disse que a região com o que considerou como “nível de crueldade sem barreiras” precisa de apoio internacional para garantir uma melhor mobilidade e logística para prestar auxílio às vítimas.

Em fevereiro, a comunidade internacional pediu cerca de US$ 1,5 mil milhões  para dar apoio à região este ano. Mais de 515 mil crianças sofrem de malnutrição aguda.

De acordo com as Nações Unidas cerca de 10,7 milhões precisam de assistência na área e pelo menos 7,1 milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar.

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