Perito alerta para ação de grupos armados e dissidentes no Mali

9 março 2017

Especialista deplora postos de controlo em estradas e os ataques; civis enfrentam risco no norte e centro; união de grupos extremistas violentos leais à Al-Qaeda preocupa relator da ONU.

Eleutério Guevane, da ONU News em Nova Iorque.

O aumento de postos de controlo de grupos armados ou dissidentes nas estradas e os ataques contra viajantes no Mali despertaram a atenção do relator dos direitos humanos para o país, Suliman Baldo.

O especialista divulgou uma nota no fim da visita de uma semana ao território maliano a condenar o assalto a veículos e ações contra o pessoal humanitário por “minarem a segurança das pessoas que vivem nas regiões afetadas.”

Operação de paz

Baldo expressou “choque” com os ataques em curso que “tornaram a operação de paz do Mali na mais mortífera do mundo”. Os contactos no país envolveram o governo, a sociedade civil, as vítimas do conflito, os grupos armados e o representante especial do secretário-geral da ONU no Mali.

O perito alertou que as graves ameaças à segurança no norte e no centro colocam os civis em risco e impedem que estes tenham acesso aos serviços sociais básicos. Ele homenageou as forças que perderam a vida no país.

O especialista disse que o grande número de escolas fechadas nas duas áreas é um indicador da crescente insegurança e a situação pode barrar o acesso de várias crianças ao direito à educação.

Patrulhados

Baldo incentiva a continuação de patrulhas de combatentes dos grupos que assinaram o acordo de paz de 2015 que foram lançadas em 23 de fevereiro.

Para o relator, o anúncio da união grupos de extremistas violentos leais à Al-Qaeda no Magrebe Islâmico, a 2 de março, demonstra que estes estariam determinados a contrariar os progressos feitos para executar o entendimento.

Baldo abordou temas como impunidade para violações dos direitos humanos na crise de 2012, a ocupação do norte por grupos extremistas, o golpe militar e o período de combate ao terrorismo.

Transparência

O apelo às forças nacionais e internacionais no país é que respeitem os direitos humanos nas operações para combater o terrorismo e aumentem a transparência na investigação das denúncias ligadas a essas operações.

Os outros temas preocupantes registados por Baldo são condições de detenção e o abuso dos direitos femininos, de migrantes e dos refugiados. Ele disse ainda que há violações graves dos direitos humanos e problemas com a capacidade do sistema judiciário no norte e centro maliano.

O pedido a todas as partes do acordo de paz é que continue a cumprir os compromissos do acordo. Baldo quer medidas para tranquilizar as populações locais e permitir o regresso das autoridades estatais em toda a região.

Ele elogiou as autoridades do país por abrirem gabinetes regionais da Comissão de Justiça, Verdade e Reconciliação e o início de depoimentos e disse haver “muito a ser feito”, especialmente em relação a despertar consciência pública.

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