Acesso a alimentos teve baixa dramática nas áreas de conflito

2 março 2017

FAO inclui Moçambique no grupo de 37 nações que precisam de assistência alimentar externa; produção de cereais pode aumentar em 2017; Brasil pode ter safra de milho favorável este ano.

Eleutério Guevane, da ONU News em Nova Iorque.

Um novo relatório destaca condições robustas no abastecimento de alimentos a nível global, mas que o acesso à comida baixou dramaticamente em áreas onde ocorrem conflitos civis.

No documento Perspetivas de Colheitas e Situação Alimentar, a Organização da ONU para Agricultura e Alimentação, FAO, destaca que a segurança alimentar piorou devido às condições de seca em toda a África Oriental.

El Niño

Moçambique é o único país de língua portuguesa no grupo de 37 nações que precisam de assistência alimentar externa. Na lista estão 28 Estados africanos onde continuam os efeitos das secas provocadas pelo fenómeno climático El Niño no ano passado.

A previsão é de uma recuperação da produção agrícola na África Austral, mas a FAO destaca que aumentam os deslocados e as pessoas que passam fome em outras partes do mundo.

Após o Sudão do Sul ter declarado o estado de fome na semana passada há também grande preocupação com a segurança alimentar no norte da Nigéria, na Somália e no Iémen.

Emergência ou fome

Cerca de 100 mil sul-sudaneses enfrentam fome no estado de Unidade e outras áreas do país enfrentam um “risco elevado”. Atualmente 4,9 milhões de pessoas estão em “situação de crise, emergência ou fome”, um número que nos próximos três meses pode aumentar para 5,5 milhões.

O diretor-geral adjunto da FAO, Kostas Stamoulis,  disse que a situação não tem procedentes e que “nunca antes o mundo enfrentou quatro ameaças de fome em vários países ao mesmo tempo.”

Cultura de cereais

O também chefe do Departamento de Desenvolvimento Económico e Social da FAO pediu ação rápida para dar “ajuda alimentar imediata, mas também para o sustento que possa garantir que tais situações não sejam repetidas.”

Quanto às tendências globais, o aumento da produção de cereais foi muito acentuado em 2016. O destaque vai para a recuperação recorde na América Central e o aumento de culturas de cereais na Ásia, Europa e América do Norte.

A FAO prevê-se uma queda da produção global de trigo de 1,8% este ano em relação ao recorde de 2016. Nos Estados Unidos a área semeada de trigo baixou 20% no inverno, o nível mais baixo em mais de 100 anos.

As perspetivas para 2017 da safra de milho são favoráveis no Brasil e na Argentina bem como para os grãos em todo o Hemisfério Sul. A FAO destaca que ainda é muito cedo fazer previsões sólidas para várias principais culturas do mundo.

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