Unicef alerta para violência sexual sofrida por crianças migrantes
BR

28 fevereiro 2017

Em estudo, divulgado nesta terça-feira, agência da ONU afirma que 26 mil menores cruzaram o Mediterrâneo vindos do norte da África; maioria segue desacompanhada.

Eleutério Guevane, da ONU News em Nova Iorque.*

Cerca de 26 mil crianças atravessaram o mar Mediterrâneo em 2016, segundo um relatório publicado esta terça-feira pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef.

De acordo com o documento Uma viagem mortífera para crianças, a maioria delas segue desacompanhada na travessia.

Contrabandistas e traficantes

O informe contém relatos de atos de escravidão, violência e abuso sexual que envolvem contrabandistas e traficantes de crianças que fazem a viagem perigosa para a Itália.

A violência sexual é praticada de forma “generalizada e sistêmica” nos cruzamentos e nos pontos de controle onde homens seriam frequentemente ameaçados ou mortos ao tentar intervir.

Itália

Em relação às mulheres, a expectativa é que estas prestem serviços sexuais ou passem dinheiro em troca da travessia da fronteira líbia. Por outro lado, elas são separadas das crianças migrantes quando tentam viajar juntas “por razões de segurança”.

De acordo com a agência das Nações Unidas há ainda um grande número de crianças que arriscam as suas vidas na viagem perigosa da Líbia para a Itália.

As crianças raramente relatam os abusos por medo de serem presas ou deportadas. O Unicef menciona também a falta de comida, água e assistência médica em centros de detenção da Líbia.

Milícias

O documento cita a formação de locais de detenção geridos por milícias por que estas “querem beneficiar-se dos migrantes que queiram passar pelas áreas sob seu controle”.

O relatório cita a Missão das Nações Unidas na Líbia mencionando os “altos níveis de violência contra migrantes, que incluem crianças” que passam por punições como tortura sem razão aparente.

Vários migrantes não puderam descrever os detalhes da tortura ou da punição a que foram sujeitos mas foram unânimes nos “termos desumanos”.

Os migrantes da África Subsaariana seriam geralmente tratados de forma pior do que os outros provenientes de países como Egito e Síria e de territórios como a Faixa de Gaza.

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*Apresentação: Monica Grayley.

 

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