Orlando Bloom conhece crianças e famílias atingidas pelo Boko Haram
BR

24 fevereiro 2017

No Níger, ator e embaixador da Boa Vontade do Unicef conversou com menores afetados pelo grupo terrorista; conferência em Oslo busca levantar fundos para crise na Bacia do Lago Chade.

Laura Gelbert Delgado, da ONU News em Nova Iorque.

O ator e embaixador da Boa Vontade do Unicef, Orlando Bloom, visitou Diffa, no sudeste do Níger, nesta semana, para chamar atenção para a crise humanitária na Bacia do Lago Chade.

Na região, a violência causada pelo grupo terrorista Boko Haram causou o deslocamento de um grande número de pessoas. Centenas de milhares de crianças foram forçadas a deixar suas casas, estão sem estudar ou em risco de desnutrição.

Violência

Em áreas afetadas pela violência no Níger, Nigéria, Chade e Camarões, 2,3 milhões de pessoas estão atualmente deslocadas, sendo esta uma das crises de deslocamento que crescem mais rápido na África.

A região de Diffa abriga atualmente mais de 240 mil deslocados internos, refugiados e pessoas que retornaram a seus locais de origem, incluindo 160 mil crianças.

“Difícil imaginar”

Orlando Bloom afirmou que, como pai, é difícil para ele imaginar a quantidade de menores atingidos pelo conflito.

Ele contou que, durante sua viagem, ouviu histórias terríveis de crianças fugindo a pé e deixando tudo para trás, incluindo a segurança de suas casas e salas de aula.

Um dos menores que o ator conheceu foi Amada Goni, de 14 anos. Ele está vivendo com sua família em Garin Wazam, um campo para deslocados internos.

Pesadelos

Quando a crise começou, muitos dos amigos de Amada se juntaram ao Boko Haram, alguns de forma voluntária, outros não. O menino contou a Orlando Bloom sobre os terríveis pesadelos que tem e que ainda não se sente seguro desde que sua aldeia foi atacada há oito meses.

Atualmente, Amada frequenta todos os dias um centro de apoio psicossocial apoiado pelo Unicef. Lá, ele recebe ajuda para lidar com o trauma que viveu e fez novos amigos.

Sorriso e sonho

Para o embaixador da agência da ONU, é “extremamente difícil compreender a situação” quando se está longe. Bloom disse ter visto “a profundidade da dor e do sofrimento” enfrentados por essas crianças, ressaltando que nenhuma deveria passar por isso.

No entanto, o ator declarou ter sido “maravilhoso testemunhar o sorriso no rosto de Amada” enquanto ele jogava basquete com os amigos e destacou que “isso é resultado do trabalho do Unicef”.

Durante o período em que esteve no Níger, Bloom também visitou Bosso, na fronteira com a Nigéria, onde conheceu Eta. A menina de 13 anos fugiu com sua família quando sua casa foi queimada pelo Boko Haram.

Agora, frequentando uma escola temporária aberta pelo Unicef, ela sonha em ser médica e trabalhar para o bem-estar de sua comunidade.

Conferência internacional

O Unicef e seus parceiros na Nigéria, nos Camarões, no Chade e no Níger aumentaram a assistência a milhares de famílias da região com itens como acesso à água limpa, educação, apoio psicológico, vacinas e tratamento para desnutrição.

No entanto, escassez de recursos e dificuldades de acesso devido à insegurança prejudicaram a entrega de ajuda humanitária a milhares de crianças que precisam.

Nesta sexta-feira, uma grande conferência internacional será realizada em Oslo, capital da Noruega, com objetivo de levantar fundos para a crise na Bacia do Lago Chade.

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