Especialista da ONU pede ao Sudão para proteger direitos dos civis em Darfur

23 fevereiro 2017

Aristide Nononsi lembra que a região enfrenta um conflito desde 2003, com centenas de milhares de desalojados ainda a viver em acampamentos; relator terminou missão de 12 dias no país.

Leda Letra, da ONU News em Nova Iorque.

O especialista independente das Nações Unidas sobre os direitos humanos no Sudão pede ao governo de Cartum para proteger os direitos dos civis na região de Darfur.

Aristide Nononsi lembra que a região enfrenta um conflito civil desde 2003, com centenas de milhares de pessoas deslocadas ainda a viver em acampamentos.

Falta de segurança

O relator de direitos humanos falou esta quinta-feira, ao terminar uma missão de 12 dias no Sudão, onde conversou com moradores do vilarejo de Adi Kong, em Darfur.

Segundo Nononsi, a comunidade continua “ansiosa em relação à segurança na área e quer proteção reforçada, além de serviços básicos como saúde, água e educação”.

Por isso, o relator destaca ser essencial que o governo sudanês e parceiros internacionais protejam os direitos dos civis. O especialista também visitou o acampamento de Sorotony, ao norte de Darfur, que fornece abrigo aos que fugiram do conflito e descreveu a situação por lá como “precária”.

Violência sexual

Alguns residentes do campo disseram que vivem num estado de insegurança devido aos “elementos armados” e à criminalidade dentro e fora do local. Violência sexual é uma outra preocupação, afirmou Nononsi, ao explicar que mulheres são atacadas enquanto fazem os seus trabalhos diários.

Nove casos de estupros foram reportados nas últimas semanas, mas muitas mulheres têm medo de revelar que foram vítimas porque temem sofrer represálias.

Ao encerrar sua visita ao Sudão, o relator da ONU, Aristide Nononsi, lembrou ser obrigação do governo proteger os civis e apelou às autoridades para que conduzam investigações sobre os tais incidentes.

Os relatores especiais fazem parte do Conselho de Direitos Humanos e trabalham de forma voluntária, sem receber salário. Eles não são funcionários da ONU e operam de forma independente de qualquer governo ou organização.

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