Representantes da ONU visitam comunidade palestina sob ameaça
BR

22 fevereiro 2017

Enviados do Ocha e do Unrwa citam pressão de autoridades israelenses para que grupo se mude a “local de realocação planejado”; Robert Piper defendeu que “comunidade internacional deve trabalhar para fornecer assistência a comunidades vulneráveis e insistir que a lei internacional seja respeitada”.

Laura Gelbert Delgado, da ONU News em Nova Iorque.

O coordenador para ajuda humanitária e atividades de desenvolvimento da ONU para os Territórios Palestinos Ocupados, Robert Piper, e o diretor de operações da Agência das Nações Unidas para Assistência a Refugiados Palestinos, Unrwa, na Cisjordânia, Scott Anderson, visitaram a comunidade palestina beduína de Khan al Ahmar na chamada Área C.

O local está localizado nos arredores imeditados de Jerusalém Oriental. Segundo Piper, “Khan al Ahmar é uma das comunidades mais vulneráveis na Cisjordânia, lutando para manter um padrão mínimo de vida diante da pressão intensa de autoridades israelenses” para que se mudem para um “local de realocação planejado”.

Infraestrutura

Para Piper, a “medida é inaceitável e deve parar”. De acordo com o Escritório da ONU para Coordenação de Assuntos Humanitários, Ocha, em 15 e 19 de fevereiro, autoridades israelenses enviaram ordens, incluindo de demolição, que ameaçam quase todas as estruturas de um dos locais da comunidade, Abu Al Helu.

Segundo o Ocha nos Territórios Palestinos Ocupados, a execução dessas ordens teria um impacto nas casas e meios de subsistência de mais de 140 refugiados palestinos, mais da metade crianças.

Entre as infraestruturas que seriam afetadas está uma escola primária, feita de lama e pneus, que foi construída com apoio de doadores internacionais e atende cerca de 170 crianças de comunidades beduínas na área.

Instabilidade

De acordo com o Ocha, como em outras áreas da Cisjordânia, as ordens recentes foram emitidas com base no fato de que as estruturas não possuem permissões de construção dadas por Israel.

Segundo o Escritório, essas são “praticamente impossíveis de obter” em mais de 60% da Cisjordânia conhecida como “Área C”.

Para Piper, o que está acontecendo em Khan al Ahmar “não é único”. Ele afirmou que “milhares de famílias vivem com medo de demolições a qualquer momento e comunidades inteiras existem em instabilidade crônica”.

O coordenador ressaltou ainda que “quando escolas são demolidas, o direito de crianças palestinas à educação também é ameaçado”.

Comunidade internacional

Piper alertou que “isso cria um ambiente coercitivo que força algumas comunidades a se mudarem para outros locais”.

Ele defendeu que a “comunidade internacional deve trabalhar junta para fornecer assistência e proteção a comunidades vulneráveis e insistir que a lei internacional seja respeitada”.

Segundo a nota, Khan al Ahmar é uma das 46 comunidades na região central da Cisjordânia, que a ONU avalia como estando em risco de transferência forçada devido a planos israelenses de movê-las a locais de “realocação” designados.

A área teria uma população aproximada de 7 mil pessoas, 70% delas refugiados palestinos. De acordo com o Ocha, a medida seria uma “grave violação” da Quarta Convenção de Genebra.

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