Semana de violência matou mais de 150 em quatro províncias da RD Congo

20 fevereiro 2017

ONU deplora imagens nas redes sociais que mostram disparos de alegados  elementos do exército contra homens e mulheres em Kasai; número é maior que a metade dos assassinatos documentados em sete meses.

Eleutério Guevane, da ONU News em Nova Iorque.

O alto comissário para os Direitos Humanos considerou “preocupante a escalada de violência” em províncias que antes eram  “consideradas relativamente calmas” na República Democrática do Congo, RD Congo.

Em nota, Zeid Al Hussein cita várias “alegações credíveis de graves violações”, com o agravamento acentuado da insegurança nas províncias de Kasai, Kasai Central, Kasai Oriental e Lomami.

Mortos

Entre 6 e 13 de fevereiro, foram registados pelo menos 151 mortos no contexto da violência nessas regiões. Mais de 280 assassinatos foram documentados desde julho.

A nota menciona um vídeo partilhado desde o fim de semana nas redes sociais. As imagens mostravam aparentemente “elementos do exército a disparar de forma repetida e sem aviso em direção a homens e mulheres”.

As vítimas da aldeia Muenza Nsapu seriam da milícia Kamiuna Nsapu, nome de um líder local que foi morto pelas Forças Armadas congolesas em agosto passado. De acordo com o comunicado, as alegadas tropas atiravam contra uma vítima desarmada deitada no chão.

Execuções

Zeid quer medidas imediatas do governo para pôr termo às violações generalizadas dos direitos humanos, que “incluem aparentes execuções sumárias pelas Forças Armadas do país”.

Em nota, emitida em Genebra, o representante reitera que as autoridades redobrem os seus esforços para combater a impunidade que “alimenta mais a violência e as violações de direitos humanos no país”.

A sugestão é que as autoridades congolesas implementem um plano de paz abrangente com base no diálogo que inclui “encontrar soluções duradouras para os conflitos com os chefes tradicionais”.

Origem

A milícia local é considerada “cada vez mais ativa” na província central de Kasai e ataca principalmente edifícios governamentais, igrejas e forças de segurança nacional. O grupo estaria também a recrutar e a usar crianças.

A Missão das Nações Unidas na República Democrática do Congo, Monusco, informou que ainda não está em condições de verificar a origem e a autenticidade do vídeo.

Entretanto, o porta-voz do governo e ministro congolês da Comunicação, Lambert Mende, afirmou que há oficiais que são alvos de uma investigação judicial pelo seu comportamento durante os recentes combates na aldeia.

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