Vice-chefe de direitos humanos quer responsabilização por conflito sul-sudanês

17 fevereiro 2017

Andrew Gilmour apreensivo com crimes de guerra e contra a humanidade que teriam envolvido forças de segurança; reunião de especialistas recomenda criação imediata de mecanismo independente para investigar abusos.

Eleutério Guevane, da ONU News em Nova Iorque.

O secretário-geral assistente para os Direitos Humanos das Nações Unidas apelou esta sexta-feira que sejam responsabilizados os que cometeram atrocidades no Sudão do Sul.

No fim da visita ao país, Andrew Gilmour defendeu que a “guerra é travada contra os homens, mulheres e crianças”. Para o responsável, a única forma de se acabar com os ataques será fazendo com que os seus autores “enfrentem as consequências dos seus atos”.

Crimes 

Gilmour reuniu-se com representantes do governo, da Comissão de Direitos Humanos, de autoridades locais, de líderes religiosos, das Nações Unidas e de parceiros humanitários, além de vítimas e da sociedade civil.

A preocupação do representante é com elementos das forças governamentais do Spla “que tenham-se envolvido em crimes de guerra e contra a humanidade”.

Gilmour elogiou a formação em direitos humanos orientada pela ONU para o exército e a nomeação de pontos focais sobre violência sexual relacionada a conflitos.

Mecanismo independente

O  fim da visita coincidiu com o fecho de uma reunião de peritos que pediram um mecanismo independente internacional para a investigação de violações no Sudão do Sul antes da formação de um tribunal híbrido com a União Africana.

Na Etiópia, a Comissão dos Direitos Humanos das Nações Unidas no Sudão do Sul emitiu uma nota para encerrar um seminário de justiça de transição no mais novo país do mundo.

Provas no terreno

A chefe do grupo, Yasmin Sooka, disse que vai apresentar um informe ao Conselho de Direitos Humanos em março e pedir recursos para a recolha de provas no terreno com foco principal “nos mais recentes crimes graves”.

O outro membro da comissão, Ken Scott, considera imperioso que a recolha das provas de violações cruciais comece imediatamente porque se perdem todos os dias.

O especialista declarou que ocorre “a morte ou desaparecimento de testemunhas, memórias que se apagam e provas físicas que se degradam.”

Para o perito,  “a situação exige o início imediato das investigações para que o tribunal híbrido tenha casos para ouvir.” 

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