Mais de dois terços da população do Iêmen está passando fome
BR

10 fevereiro 2017

Civis estão sitiados no país em meio ao intenso conflito, incluindo confrontos em terra e ataques aéreos; em apenas sete meses, número de civis que não têm comida suficiente sobe 3 milhões, chegando a mais de 17 milhões.

Leda Letra, da ONU News em Nova Iorque. 

O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos recebeu informações “muito preocupantes” sobre a situação dos civis no Iêmen, que tem sido alvo de confrontos pesados em terra e de ataques aéreos.

Segundo Zeid Al Hussein, as ações violam a lei humanitária internacional. Os confrontos intensificaram nas últimas duas semanas, especialmente no porto de Al Mokha, no sudoeste da cidade de Taiz.

Ameaças e mortes

Enquanto os comitês populares afiliados aos houtis pedem aos civis para não deixarem suas casas, as forças pró-governo exigem que as famílias deixem seus lares. Os aliados dos houthis estariam atirando nas pessoas que abandonam suas casas, sugerindo que a população está sendo utilizada como escudo humano.

No fim do mês de janeiro, um ataque aéreo contra uma residência matou 11 civis e deixou quatro feridos. Mais de 200 casas foram destruídas por ataques aéreos nas últimas semanas.

Insegurança alimentar

A fome também está aumentando no Iêmen: nos últimos sete meses, mais 3 milhões de pessoas ficaram sem ter comida suficiente. Com isso, já são 17,1 milhões de civis passando por insegurança alimentar, ou mais de dois terços da população.

O Iêmen tem 27,4 milhões de habitantes e 7,3 milhões precisam receber assistência alimentar com urgência. O alerta foi feito esta sexta-feira por três agências da ONU: a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO; o Programa Mundial de Alimentos, PMA, e o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef.

Desnutrição infantil

Esta é a primeira pesquisa completa feita sobre a situação alimentar no Iêmen desde que o conflito começou, em meados de março de 2015. Os índices de desnutrição subiram e a produção agrícola está em declínio por todo o país, sendo que 60% da população depende do setor para obter renda.

As taxas de desnutrição infantil também estão altas. Mais de 2 milhões de menores não estão recebendo os nutrientes adequados. As crianças que estão severamente desnutridas tem 11 vezes mais chances de morrer do que os menores de idade saudáveis.

As agências da ONU explicam que mesmo quando sobrevivem, essas crianças acabam não se desenvolvendo de forma adequada, aumentando as chances de que toda uma geração iemenita fique no ciclo da pobreza e do subdesenvolvimento.

Apoio financeiro

Segundo o PMA, o nível de fome no Iêmen é sem precedentes e cada vez mais famílias pulam refeições ou vão dormir com fome. A agência pede apoio para poder fornecer alimentos aos 7 milhões que estão sendo afetados de forma severa pela fome.

Já a FAO precisa de quase US$ 49 milhões para ajudar os iemenitas este ano, fornecendo kits agrícolas, sementes, sistema de irrigação e vacinação para os animais.

Nos últimos dois anos, o Unicef garantiu o tratamento para 460 mil crianças sofrendo de desnutrição no país, fornecendo também vitaminas e vacinas. Para as ações deste ano, a agência precisa de US$ 237 milhões.

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