Atriz Catarina Furtado fala de recém-nascidos e mutilação genital feminina

6 fevereiro 2017

Embaixadora de Boa Vontade do Unfpa alerta que “cada vez mais a prática é feita a crianças mais novas”; documentarista portuguesa destaca experiência com comunidades na Guiné-Bissau no dia para desencorajar o procedimento.

Paula Borges, da RTP em Lisboa para a ONU News.

Apesar dos progressos registados na Guiné-Bissau e de muitas comunidades se comprometerem com o abandono da mutilação genital feminina, MGF, há relatos recentes de bebés a serem vítimas desta prática no país.

Foi o que Catarina Furtado, embaixadora da Boa Vontade do Fundo das Nações Unidas para a População, Unfpa, ficou a saber durante a visita à Guiné-Bissau em setembro passado. A também apresentadora e actriz destaca que isto acontece em paralelo com avanços revelantes.

Verdade

“Aquilo que percebi é que há uma consciencialização maior, há uma tentativa de sensibilizar as camadas mais jovens, mas também os técnicos de saúde mas também os professores, porque sem a educação, sem intervenção na sociedade directamente e sem a colaboração depois das entidades políticas e também da polícia não há resultados práticos sustentáveis. A verdade que a população está a aumentar e a verdade é que também cada vez a prática é feita com crianças mais novas. Neste momento a prática está a ser em crianças recém-nascidas. Por quê? Porque as recém-nascidas gritam, berram como todas as crianças e portanto fica mais camuflada a prática. Ninguém vai desconfiar se uma bebé estiver a chorar numa tabanca. Isto tem que ser contrariado! Como há resultados positivos não podemos, de maneira nenhuma, deixar calar as nossas vozes.”

Catarina Furtado vai dedicar um dos próximos episódios do programa “Príncipes do Nada” da RTP à Mutilação Genital Feminina. Defende que é indispensável manter o empenho.

Investimentos

“Tenho ao longo destes 17 anos com o Fnuap e também a fazer os documentários “Príncipes do Nada” para a RTP (há já 10) estado muito atenta às questões da Mutilação Genital Feminina, às várias formas de violência da MGF e posso garantir que, ao longo destes anos, os investimentos, quer do Fnuap, quer do comité e de outras ONGs e organizações internacionais para a erradicação da prática, têm dado resultado, nomeadamente a lei de 2011 (hoje em dia é proibida a prática na Guiné-Bissau). Há resultados nas localidades onde estes investimentos foram feitos mas agora há muito a fazer ainda.”

Catarina Furtado sublinha que é necessária, nos países de elevada prevalência da MGF, mas também em países com expressivas comunidades praticantes, uma intervenção muito complementar com o envolvimento de todos para erradicar esta prática.

A mutilação genital feminina consiste no corte parcial ou total da parte externa dos genitais, uma prática ainda presente em mais de 30 países de vários continentes. Na Guiné-Bissau e em Portugal é um crime público.

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