Para Guterres, deve-se mudar narrativa da África e reconhecer seu potencial

31 janeiro 2017

Em Adis Abeba, secretário-geral defendeu que reconhecimento do continente deve ser pelo seu potencial de desenvolvimento, economia e governação; 28ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo encerra esta terça-feira.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O secretário-geral da ONU deixou a 28ª Cimeira da União Africana com um apelo para mudança na forma como o continente é descrito pelo mundo. O evento que junta líderes do continente encerra esta terça-feira.

Falando a jornalistas na segunda-feira em Adis Abeba, António Guterres disse que é preciso mudar a narrativa sobre a África na comunidade internacional. Ele explicou que muitas vezes acompanha a forma como a região é descrita em áreas como Europa, Américas e Ásia, onde a situação africana é avaliada pelas crises nos seus países.

Potencial

Para Guterres essa é uma visão parcial e destacou que o continente deve ser reconhecido pelo seu enorme potencial.

O chefe da ONU mencionou o maior crescimento económico do mundo verificado nos últimos 10 anos e o que chamou “histórias de sucesso extraordinárias do ponto de vista do desenvolvimento económico e de governação.”

Para ele, uma dessas histórias ocorreu há poucos dias ao ser demonstrada a “capacidade dos países africanos de se unirem e resolverem os problemas no continente”.

Guterres chamou de “exemplar” a reação da Comunidade Económica dos Países da África Ocidental, Cedeao, quanto à Gâmbia onde o apoio da União Africana e da ONU ajudou a resolver a crise pós-eleitoral.

O impasse culminou com a saída do presidente Yahya Jammeh e o retorno ao país do novo líder Adama Barrow, que estava fora do país. O chefe da ONU disse esperar que esse exemplo seja seguido noutras partes do mundo.

Participação

Guterres elogiou ainda a União Africana pelo que chamou de “trabalho muito importante em nome do continente”, e expressou a disposição total da ONU em apoiar plenamente as suas atividades.

Ele citou o entendimento integral entre a ONU, a União Africana e a Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento, Igad, em relação à necessidade de trabalhar em conjunto “numa só voz” para pacificar o Sudão do Sul.

O presidente do Chade, que assume a presidência rotativa da UA, convidou  Guterres a participar todos os anos num café da manhã com chefes de Estado e de Governo do continente em janeiro.

O chefe da ONU disse que a oportunidade será para interagir com líderes do continente e discutir de “forma muito significativa” as relações entre a União Africana e as Nações Unidas.

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