Secretário-Geral discursa sobre situação humanitária na Etiópia

30 janeiro 2017
Excelências,

Senhoras e Senhores,

É uma honra para mim e também um prazer estar aqui hoje neste Encontro de Alto Nível sobre a Situação Humanitária na Etiópia.
Este evento deve expressar nossa inteira solidariedade com o povo etíope e o Governo da Etiópia neste momento.
E sejamos claros: a solidariedade não é uma questão de generosidade. É uma questão de justiça e também de interesse próprio.
Em primeiro lugar é uma questão de justiça... Justiça em relação à enorme generosidade do próprio povo etíope: Eu testemunhei durante 10 anos, como alto comissário para refugiados, a maneira como a Etiópia tornou-se não apenas o maior país de abrigo de refugiados africanos, mas também a nação com a mais determinada política de fronteiras abertas. Mesmo em face às mais difíceis situações de segurança; um exemplo que, eu diria, precisa ser pensado num mundo, onde infelizmente tantas fronteiras estão sendo fechadas.
Mas não apenas o país manteve suas fronteiras abertas, mas também permaneceram abertos os corações dos etíopes e as portas de suas casas. E num país com grandes desafios de desenvolvimento, vemos milhares de jovens eritreus, somalis e sul-sudaneses que já se graduaram em universidades etíopes ou estão neste momento estudando em faculdades apoiadas pelo Governo Etíope.
E falo de um ato de justiça também porque esta crise que acometeu o governo e o povo da Etiópia não os pegou despreparados, ainda que a magnitude da crise, claramente, esteja acima da capacidade do país de resolvê-la.
A Etiópia tem, persistentemente, aplicado uma política do construção de resiliência em relação aos desastres naturais, que lamentavelmente com a mudança climática têm se tornado cada vez mais frequentes e intensos. E não apenas uma política consistente de fortalecimento da resiliência, mas também de criar uma reserva necessária para a própria Etiópia responder às crises.
O apelo do ano passado, que foi mencionado, foi o maior em relação à resposta ao apelo mundial que gerou: 90%. São 90% porque a metade foi proporcionada pelo próprio Governo etíope.
E isto é absolutamente notável que um governo esteja pronto para responder à metade das demandas humanitárias apresentadas pela comunidade internacional com uma crise tão arrasadora como a que vemos na Etiópia.
Por outro lado, eu penso que isto também é motivo de se fazer justiça quando reconhece-se aqui que não temos neste caso o abismo normal entre ações humanitárias e de desenvolvimento.
Se existe um governo que integra perfeitamente as ações humanitária e de desenvolvimento, este governo é o etíope.
Nós temos, claro, fornecido alimentos e água às pessoas que precisam, sim é verdade! Mas isto é agora feito no contexto da construção de resiliência e como preparação para o futuro desenvolvimento do país.
Aqui, o governo, agências, doadores, todas as mãos trabalham para responder às necessidades mais urgentes sobre a perspectiva humanitária e de desenvolvimento de largo prazo e à resposta resiliente aos desafios que os etíopes estão a enfrentar.
Se esta abordagem fosse copiada, em muitas outras partes do mundo, nós seríamos muito mais eficientes não apenas em ajuda humanitária, mas mais eficazes também em relação à construção da resiliêcia e à promoção do desenvolvimento.
Mas isto é apenas uma questão de interesse próprio: porque o enlace entre o humanitário e o desenvolvimento com a paz e a segurança tem aumentado em todas as partes. E para investir na construção de resiliência das populações e nas melhores necessidades em situações de estresse, como a atual, é também contribuir para reforçar paz e segurança.
E ninguém no mundo é mais importante deste ponto de vista. Ao redor da Etiópia, temos um número de países em crises profundas: Somália, Sudão do Sul, Eritreia com a situação que todos conhecemos. A Etiópia tem sido um pilar de estabilidade nesta região e um fator muito importante para permitir a comunidade internacional a ser capaz, eu diria, de atenuar o impacto destas crises sem maiores pressões à paz e à segurança globais.
Mas não podemos permitir que o efeito da seca seja um motor de uma instabilidade adicional, de inquietações sociais, um motivo de conflito porque isto levaria consequências terríveis não apenas em relação a conflitos na região, mas também a deslocamentos de populações, num mundo que está pouco inclinado a receber mais migrantes. E também ao terrorismo global que representa agora uma ameaça a todo o mundo.
Sendo assim, vamos transformar esta sessão de solidariedade num compromisso de trabalhar e cooperar juntos não apenas para responder às necessidades humanitárias urgentes da Etiópia, mas também para juntar esforços em lidar com os enormes desafios a partir de uma perspectiva de desenvolvimento, e de uma perspectiva de paz e segurança enfrentadas hoje pelo mundo.
António Guterres, em 29 de janeiro, Adis Abeba.

 

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